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Primark quer triunfar nos EUA

Confiante na conquista do mercado dos EUA, a Primark prepara-se para aumentar a aposta no país. O próximo passo da retalhista da Associated British Foods é assegurar parceiros de fast fashion na América Central.

Avaliado em 300 mil milhões de dólares (cerca de 270 mil milhões de euros), o mercado de vestuário e calçado dos EUA apresenta grandes dificuldades de sobrevivência para os vários retalhistas que tentaram a sorte no sonho americano e não triunfaram.

A Primark, que surpreendeu os consumidores do Reino Unido com os preços baixos, chegou a Boston em 2015. Atualmente, a cadeia de moda da Associated British Foods (ABF) tem nove lojas na região nordeste dos EUA, que contam com o fornecimento de um armazém na Pensilvânia que, segundo a retalhista, está capacitado para servir três vezes mais lojas. A retalhista investiu 250 milhões de libras (292 milhões de euros) nos EUA e conseguiu alcançar vendas fortes e tem quatro anos de experiência num mercado lotado que está a lutar para sobreviver face ao rápido crescimento do comércio eletrónico.

A Associated British Foods (ABF) considera que a abordagem disciplinada loja a loja pode ser a chave para o sucesso num país que pôs fim aos objetivos de algumas das grandes retalhistas britânicas como a Marks & Spencer, Tesco e, mais recentemente, a Topshop, do Arcadia Group, presidido pelo empresário Philip Green. «Acho que os EUA vão ser um sucesso para a Primark», afirma John Bason, diretor financeiro da ABF, à Reuters.

A criação de uma cadeia de aprovisionamento mais próxima do mercado dos EUA está na origem da segurança com que o diretor financeiro da empresa fez a afirmação. Atualmente os artigos que a Primark vende nos EUA são provenientes dos países fornecedores tradicionais, como a China, Índia, Bangladesh, Camboja, Vietname e Turquia. A distância entre as lojas da retalhista e os fornecedores traduz-se num transporte de mercadorias pelo Pacífico que se torna muito dispendioso, visto que os produtos atravessam o Canal do Panamá e a costa leste dos EUA.

Contratar fornecedores da América Central, nomeadamente da Guatemala, Costa Rica e México é um dos próximos passos para a Primark, que quer aumentar a aposta no mercado dos EUA. «Estamos agora a chegar a esse ponto com o nível de vendas que já temos nos EUA», sublinha John Bason. «Certamente que os países da América Central vão começar a aparecer», acrescenta.

Fundada em Dublin por Arthur Ryan em 1969, a Primark tem 373 lojas em 12 países e movimenta mais de 7,5 mil milhões de libras. No ano fiscal 2017/2018, a empresa teve um lucro de 843 milhões de libras, o que reflete um aumento de quase quatro vezes maior em dez anos, mesmo sem nunca se ter aventurado no comércio eletrónico. O facto da Primark, a maior retalhista britânica de moda em número de artigos vendidos, se ter afirmado pelos preços baixos, com t-shirts e fatos de banho por menos de cinco libras, faz com que a oferta online seja insustentável.

Aprendizagem em ciclo virtuoso

A Primark contribuiu para mais de metade do lucro total da proprietária ABF, que é uma das maiores retalhistas de mercearia, cujo valor de mercado está cotado em 18 mil milhões de libras.

De acordo com alguns analistas, a combinação da moda, preço e uma gama diversificada de produtos pode levar a Primark a construir um negócio tão sólido nos EUA como o da Europa na próxima década. Se isto se verificar, nomes de peso como Old Navy, American Eagle e Target vão passar a ter mais uma ameaça no mercado. O mesmo acontecerá com a sueca H&M, que tem 578 lojas nos EUA, e com a espanhola Inditex, que possui 102 lojas neste mercado.

Neste outono, a Primark vai abrir a décima loja dos EUA, em Nova Jersey. Segue-se ainda, em 2020, a abertura de mais um espaço na Florida, o primeiro localizado fora da região nordeste. Existem ainda planos para uma nova loja em Chicago e para as cidades mais movimentadas da costa leste.

John Bason, o diretor financeiro da ABF, explica que a decisão de reduzir o tamanho das lojas nos centros comerciais Freehold Raceway, em Nova Jersey, em Danbury Fair, no Connecticut, e King of Prussia, na Pensilvânia, foi crucial para se adaptarem ao modelo americano. Nestes casos, o nível de vendas manteve-se, já a densidade das vendas aumentou, enquanto os custos operacionais baixaram, o que significa que estas medidas impulsionaram o lucro. Por outro lado, o lucro obtido na loja de Boston foi maior devido ao espaço da loja ter sido ampliado. «Se criares mais lojas e cada uma delas for lucrativa, então o lucro geral vai aumentar, é um ciclo virtuoso», sublinha.

A ABF revelou que, no mês de setembro, a Primark apresentou um forte crescimento de vendas nos EUA e que prevê uma prejuízo operacional significativamente reduzido para 2018/2019, o que reflete a subutilização intencional do armazém. «A certa altura, coloca-se um segundo armazém noutro lugar, estrategicamente localizado, e começa-se a acrescentar lojas a partir desse local», indica John Bason, salientando que qualquer projeto na Califórnia necessitará de um armazém a oeste das Montanhas Rochosas. «O que está no coração da Primark é a aprendizagem sobre o mercado individual, foi sempre o lema do Arthur», conclui.