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Primark reforça preocupações éticas

A retalhista de moda rápida reafirmou recentemente a constante vigilância da sua cadeia de aprovisionamento, respondendo ao primeiro sinal de alerta de trabalho escravo. Simultaneamente, a Primark descartou a ideia de que preços baixos significam exploração.

Paul Lister, responsável pela equipa de negociação de ética da Primark, esclareceu que a retalhista conhecida pela sua oferta de vestuário barato é capaz de manter os preços baixos ao não investir em publicidade e comprar em grandes quantidades para conseguir economias de escala.

Depois de anos a enfrentar acusações de produzir em fábricas que recorrem ao trabalho escravo para conseguir vender t-shirts a 3 libras (aproximadamente 3,60 euros), a Primark começou este ano a falar publicamente sobre o que tem vindo a fazer para garantir que a sua cadeia de aprovisionamento seja ética.

Lister declarou que o modelo de negócio da Primark foi projetado para produzir produtos de baixo custo, mas reconheceu que a cadeia de aprovisionamento de vestuário era complicada e que a retalhista estava sempre atenta a quaisquer problemas. «Trata-se de estar constantemente vigilante, de estar constantemente lá fora e saber o que procurar, ser quase forense», explicou Lister à agência noticiosa Reuters.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que existam 21 milhões de vítimas de trabalho forçado a nível mundial, 56% das quais na Ásia-Pacífico, região que alberga muitas fábricas de vestuário que aprovisionam marcas internacionais.

O responsável pela equipa de negociação de ética destacou que, das lojas à cadeia de aprovisionamento, é fácil para a Primark estar confiante sobre aquilo que acontece nas 1.700 fábricas às quais recorre globalmente para abastecer as suas 290 lojas na Europa e nos EUA.

No entanto, Paul Lister admitiu que é difícil monitorizar as práticas éticas em fábricas de nível 2, que produzem itens como botões e fechos, e fábricas de nível 3, como tinturarias. «Quanto mais fundo na cadeia de aprovisionamento, mais complicado fica», reconheceu Lister, que se juntou à Associated British Foods, detentora da Primark, em 2001.

Lister garantiu que a Primark realiza auditorias independentes e sem aviso prévio em todas as fábricas anualmente e que, este ano, duplicou iniciativas semelhantes nas centenas de fábricas às quais recorre na Turquia, consciente da possível exploração de migrantes sírios (ver Marcas ignoram sinais de alerta na Turquia). A Primark criou também uma linha direta de denúncias para os trabalhadores e organizou grupos de discussão sobre temas diversos, como a saúde. «A Turquia é um caso particular e mudámos a forma como trabalhamos para lidarmos com as circunstâncias devastadoras lá», afirmou.

O responsável acrescentou que era também muito difícil saber de onde vinha o algodão e que, por isso, a Primark iniciou projetos nos campos de algodão de Gujarat, no oeste da Índia, em 2013, numa iniciativa de agricultura sustentável conhecida como Cotton Connect, que recruta pequenos agricultores. «Já alcançámos os 10 mil agricultores», revelou. Paul Lister salientou ainda que era importante olhar para os benefícios deste tipo de emprego no mundo em desenvolvimento, com as fábricas utilizadas pela Primark a darem trabalho a cerca de 750.000 pessoas.