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Primark soma e segue

As inaugurações e as ampliações do espaço de loja impulsionaram as vendas da gigante de moda rápida Primark no seu último ano fiscal. A par da boa matemática global, a retalhista revela também uma performance particularmente forte na Irlanda e a crescente consciência de marca em solo norte-americano.

As vendas da Primark subiram 9% comparativamente ao ano passado, alcançando os 5,95 mil milhões de libras (aproximadamente 6,68 mil milhões de euros). Este ritmo de crescimento deverá continuar, com aberturas de lojas previstas para o atual ano fiscal, adianta a retalhista ao portal Just-style. Espera-se que o espaço de venda volte também a aumentar.

Contudo, o clima instável e um consumidor cauteloso motivaram a desaceleração do sector do vestuário em alguns dos principais mercados da Primark, principalmente no Reino Unido e na Alemanha, fazendo cair as vendas comparáveis em 2%.

Ainda assim, apesar da performance do Reino Unido ter estado alinhada com a tendência de quebra, a Irlanda apresentou um bom desempenho ao longo do ano e as vendas mantiveram-se animadas em países como Espanha, França e Áustria.

De acordo com a Primark, nos EUA, a consciência de marca começou num nível baixo e tem vindo a crescer, com a retalhista a ser «bem recebida e a ter um feedback muito positivo dos clientes». «Agora temos uma melhor compreensão daquilo que atrai os nossos clientes americanos e estamos a reunir informações valiosas sobre a localização das lojas», afirma George Weston, presidente-executivo da Associated British Foods, detentora da Primark. «Este foi um ano desafiante para os retalhistas de vestuário, considerando as quebras vistas na maioria dos países na Europa. O facto da retalhista ter aumentado a sua quota em todos os principais mercados foi, portanto, um testemunho da força da oferta da Primark» explica.

A desvalorização do euro em relação ao dólar, no entanto, pressionou as margens em 2015 e a recente desvalorização da libra em relação ao dólar deverá ter impacto no próximo ano. A margem de lucro operacional, por exemplo, desceu dos 12,6% para os 11,6% este ano, uma vez que a Primark compra uma parte significativa do seu vestuário em dólares e as vende em euros e libras, estando assim muito exposta a flutuações cambiais. Não obstante, grande parte do impacto foi atenuada graças ao «bom desempenho de compra» e a menos remarcações, resultado de uma gestão mais rigorosa de stocks.

«Este foi um ano de progresso em todos os nossos negócios, com uma expansão substancial no espaço de venda da Primark, maiores margens em todas as empresas de produtos alimentares e mudanças estruturais fundamentais na AB Sugar», revela Weston, acrescentando que «o recente declínio do valor da libra representa benefícios e desafios para o grupo. A diversidade das nossas operações e a vasta área geográfica que cobrimos, combinadas com bons resultados financeiros deixam-nos bem preparados para aproveitar as oportunidades à medida que elas surjam».

Entretanto, a retalhista tem já na calha a abertura de mais cinco lojas na Alemanha neste ano fiscal, juntamente com duas lojas em Florença e Brescia, na Itália, e uma loja no centro de Amesterdão.

Já os EUA devem receber três novos pontos de venda Primark, elevando o total para oito, sendo que o espaço da loja de Boston será aumentado em 20% (ver A invasão da América). A Primark adiantou também os planos de abertura de um novo centro de distribuição na Holanda já no início de 2017.

Kate Ormrod, analista da Verdict Retail, considera que a proposta de vestuário da Primark continua atraente, mas aconselha a retalhista a preocupar-se mais com a satisfação do cliente. «Embora o investimento no espaço de loja tenha ajudado a conseguir ganhos de eficiência, um foco no atendimento ao cliente é muito necessário», afirma, apontando problemáticas como as filas, os provadores e a experiência de compras.