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Primark: vendas de inverno excedem expetativas

Apesar da descida nas vendas comparáveis no período natalício, de um modo geral, as vendas da retalhista da Associated British Foods aumentaram 4%. As lojas físicas continuam a ser a grande aposta da Primark, que prevê abrir ainda mais espaços de venda no futuro.

Nas 16 semanas anteriores a 5 de janeiro, as vendas da Primark cresceram 4% em relação ao ano anterior, tanto nas taxas de câmbio atuais como neutras. Os lucros também ficaram «bem à frente» do ano passado, suportados por uma margem de lucro operacional mais alta, revela a retalhista, sem adiantar números.

Recorde-se que o crescimento foi conquistado sem vendas online, que tem sido uma grande aposta dos seus rivais. No entanto, o incremento foi impulsionado pela expansão do número de lojas e não por um aumento nas vendas comparáveis, que registaram uma «descida modesta», refere a marca, também sem apresentar números.

Quanto ao mercado doméstico, as vendas no Reino Unido «foram positivas» ao longo destes quatro meses, tendo subido 1% e a sua quota de mercado no mercado do vestuário «cresceu significativamente», indica a Primark.

As compras na Zona Euro aumentou 5%, em moeda neutra, com um crescimento, uma vez mais, «especialmente forte», na França, Bélgica e Itália. A Primark afirma ainda que a performance melhorou no seu segundo maior mercado, a Espanha, mas o mercado alemão continua a ser «difícil».

Quanto aos EUA, o mercado mais recente da retalhista, a Primark diz-se «satisfeita» com a forte performance no período. O diretor financeiro da Associated British Foods (ABF), John Bason, numa entrevista com a MarketWatch, explica que a empresa está a tentar evoluir num mercado que é competitivo, com nove lojas a funcionar e algumas inaugurações previstas. «Estamos satisfeitos com a performance nos EUA. Todas vendas melhoraram e beneficiaram de uma forte adesão à loja de Brooklyn, que abriu em julho do ano passado», acrescenta.

Kate Ormrod, analista de retalho na GlobalData, citada pelo just-style.com, acredita que a performance mais «moderada», com um crescimento mais reduzido e as vendas comparáveis a diminuírem, é prova do quão difícil foi 2018 para a indústria da moda. «É verdade que a Primark tem uma das propostas mais atrativas nos espaços de venda. Porém, sendo uma retalhista que apenas vende em lojas físicas, o período que antecede o Natal é um desafio, numa altura em que as compras começam a ser mais realizadas cada vez mais online e as retalhistas fazem do processo de compra ainda mais acessível, permitindo aos clientes que efetuem compras mais facilmente», admite.

Direcionar-se para segmentos mais competitivos do mercado, especialmente entre os 16 e 24 anos, será cada mais difícil para a Primark, devido a uma forte concorrência, considera Kate Ormrod .«A Primark pode apostar em clientes com mais de 40 anos, através de campanhas de marketing mais inclusivas e menos juvenis, com a oportunidade de roubar clientes de retalhistas como a M&S e a Next», assegura.

Mais um ano, mais lojas Primark

Tendo inaugurado um total de quase 28 mil metros quadrados de novos espaços de venda desde o término do ano financeiro, a Primark opera agora 364 lojas com cerca de 1.400 mil metros quadrados, em relação aos 1.320 mil metros quadrados do ano anterior.

Neste ano financeiro, espera-se a abertura de mais lojas. A Primark estima a abertura de lojas num total de cerca de 83 mil metros quadrados, ainda que a inauguração da sua futura loja no centro comercial American Dream, em Nova Jerysey, tenha sido adiada até ao próximo ano financeiro e haja ainda a possibilidade de um encerramento em Oviedo, em Espanha, nesta primavera. Mas a nova flagship, com cerca de 14 mil metros quadrados, em Birmingham, no Reino Unido, deverá abrir em abril.

Online não é urgente

Embora os resultados do atual modelo de negócio sejam positivos, não significa que a Associated British Foods não esteja atenta aos mais recentes desenvolvimentos.  O diretor financeiro da ABF confessa que a empresa já refletiu sobre os esforços das vendas online, mas enfatizou que não há nenhum plano previsto. «Temos olhado para o online, mas se o fizermos, será de modo a que o comércio eletrónico complemente o que já temos», esclarece.

A possibilidade de vender os seus artigos online poderia não ser benéfico para a Primark devido aos custos de entrega, que iriam diminuir as margens de lucro. «Tem a ver com os custos logísticos. Escolher, embalar e entregar e todos esses custos», aponta Jon Bason.

Deste modo, o formato de compra e recolha em loja poderia ser um formato a ponderar. A Primark não é totalmente contra o formato, tendo já trabalhado em parceria com a Asos e experimentado o comércio eletrónico no passado, usando o website da sua rival. «Estamos online… apenas não no comércio eletrónico. A Primark é muito forte nas redes sociais, relacionando-se com mais de 13 milhões de pessoas», sublinha Jon Bason. A performance financeira da Primark demonstra que «não é urgente optar por vendas online», conclui o diretor Financeiro da ABS.