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Primavera-verão 2021 à vista

Embora o inverno domine as coleções que estão a ser apresentadas nesta altura, o WGSN anuncia já as tendências que vão estar em evidência na primavera-verão de 2021. A ascensão dos neutros, a importância do activewear e a predominância da sustentabilidade são alguns dos pontos em destaque.

Sem revolução, mas com evolução, o gabinete de tendências aponta para uma estação quente que, daqui a dois anos, será pautada por três conceitos fundamentais, que ditarão a forma como as coleções se irão desenvolver. Para homem, senhora, criança e, revelando a cada vez maior influência do desporto, no activewear, o WGSN define GameScape, HomeSpun e TransForm como as ideias-chave para a primavera-verão 2021.

GameScape

GameScape bebe inspiração no mundo digital para criar novas realidades físicas e vice-versa, numa altura em que as diferenças entre o virtual e o real se esbatem. A ansiedade provocada pelo mundo físico é combatida com o escapismo para o universo digital e, como tal, este último ganha projeção na forma como percecionamos o nosso quotidiano.

Game Scape

A inteligência artificial irá transformar a nossa vida, os influenciadores do Instagram criados em computador estão a aumentar e há empresas que já só desenvolvem vestuário que existe unicamente online. Este conceito irá exigir cores artificiais, formas exageradas, estampados e padrões distorcidos e materiais transparentes e high-tech, tudo com um elevado nível de sofisticação.

Velhas ideias e novos clássicos serão reimaginados para a era digital, à medida que os designers alargam o seu foco para irem beber inspiração a diferentes eras e indústrias.

HomeSpun

HomeSpun é uma ode ao minimalismo e à ideia de que o bom design fica melhor com a idade, sem, contudo, retirar o lado emocional aos objetos que nos acompanham no quotidiano. O apelo de um estilo de vida mais simples teve, e vai continuar a ter, segundo o WGSN, um grande impacto no design, desde os interiores aos básicos elevados no vestuário, mas na viagem para nos livrarmos dos excessos na nossa vida, vamos também procurar manter as qualidades que tornam um produto ou um espaço únicos – é uma busca pelo design com alma.

HomeSpun

Para a primavera-verão 2021 isso significa produtos com ciclo de vida maior, quer através dos materiais usados, quer através da adaptabilidade do próprio design. Não é, todavia, uma tendência centrada na perfeição, mas antes em peças com história que melhoram à medida que envelhecem.

Os estilos utilitários vão tornar-se menos rígidos e os básicos vão tornar-se mais especiais, por exemplo com materiais mais táteis. As cores serão inspiradas pelas qualidades mutáveis e imprevisíveis dos corantes naturais, numa clara aceitação da imperfeição traduzida pelo princípio japonês de wabi-sabi.

TransForm

Por último TransForm explora como designs, materiais e sistemas adaptáveis e vanguardistas podem transformar a natureza na nossa salvação. O mundo dividido em que vivemos, nomeadamente em termos políticos, e a ameaça constante ao meio ambiente – segundo um relatório da BP, as emissões de carbono subiram 2% em 2018, o ritmo mais elevado desde 2011, e, de acordo com o Fórum Económico Mundial, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico acabam no oceano todos os anos – fazem com que esta seja uma era negra na história da Humanidade.

TransForm

Mas apesar destes números catastróficos, o design está a avançar na direção da sustentabilidade, com produtos capazes de converter lixo em beleza, usar menos recursos naturais ou encontrar novas utilizações para outros já existentes, como as algas. Isso permite criar uma estética mais leve para a estação quente de 2021.

Os tecidos técnicos e os temas de sobrevivência vão continuar a ter influência, mas vão evoluir para designs adaptativos, materiais “vivos” e menores pesos. O mar será uma referência-chave, inspirando superfícies iridescentes e formas fluidas, enquanto as cores irão celebrar o mundo natural, dos azuis e verdes aquáticos aos estampados, colmatando a sinergia do design com a natureza.

Dualidade de cores

Para a primavera-verão 2021, o WGSN divide a paleta de cores em duas: tons artificiais, ligados ao digital, e as tonalidades naturais. «Embora as cores possam ser misturadas, esta divisão reflete a dualidade de um mundo alimentado pelo 5G e imerso em tecnologia e também cada vez mais atraído pela natureza, à medida que procuramos desligar-nos e responder aos desafios da sustentabilidade», justifica o gabinete de tendências.

Cores

Onze tons, incluindo uma seleção de neutros, nomeadamente castanhos, são as pedras basilares da estação, a que se juntam diversas nuances de amarelo, verdes e azuis, estes menos do que nas estações precedentes. Entre as tonalidades-chave, o WGSN destaca o A.I. Aqua, um azul futurista pensado para cruzar as fronteiras entre a moda e o desporto, o Oxy Fire, um vermelho-alaranjado extrovertido que pode ser usado para as propostas de homem, senhora e criança, o Lemon Sherbet, um amarelo mais discreto e apelativo para um público jovem, e Quiet Wave, um verde-azulado que, refere o WGSN, funcionará particularmente bem nas coleções masculinas pensadas para os mais novos.

Da paleta de tons naturais sobressai o Good Grey, um cinzento que emerge na reciclagem de plásticos de cores distintas, que deverá ser usado em vestuário formal, semiformal e também em activewear.

Materiais regressam às origens

Embora o artificial, o mutável e o experimental tenham lugar nas tendências dos materiais avançadas pelo WGSN, são as matérias-primas naturais que roubam o protagonismo na estação quente de 2021. As texturas são importantes, assim como o lema de aprovisionar materiais naturais localmente, produzidos a partir de matérias vegetais e orgânicas, incluindo cortiça.

Materiais

Neste âmbito, o gabinete de tendências destaca como fontes de inspiração o Malai, um biocompósito feito a partir de celulose bacteriana, que usa resíduos agrícolas da indústria de coco da Índia. As peles veganas são relevantes e cada vez mais procuradas, com as propostas da brasileira Nova Kaeru, que usa folhas como matéria-prima, e do Studio Tjeerd Veenhoven, que produz têxteis a partir de folhas de bananeira e palmeiras, a serem dois exemplos.

Os subprodutos de outras indústrias, nomeadamente agrícola, são igualmente cada vez mais frequentes e ganham força nas coleções. O estúdio americano Crème, localizado em Brooklyn, usou moldes para cultivar abóboras com a forma de chávenas e frascos de café. A preservação da natureza e utilização de novos elementos naturais têm, de resto, um destaque primordial ao nível dos materiais, incluindo a criação de têxteis com microalgas renováveis, como faz a designer Violaine Buet, o uso de matérias-primas provenientes da reciclagem de plástico ou mesmo da reutilização de têxteis – a The North Face, por exemplo, estabeleceu uma parceria com Christopher Raeburn para conceber uma série de sacos e mochilas únicos fabricados a partir de tendas deitadas fora.