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Principais Conclusões do Projecto Cooperar para Ganhar Apresentadas em Workshop no CITEVE

O projecto Rede Têxtil – Cooperar para Ganhar, uma iniciativa do CENESTAP- Centro de Estudos Têxteis Aplicados, foi concluído no dia 21 de Junho. A sua conclusão materializou-se num work-shop onde foram apresentadas a debate as principais conclusões do estudo realizado.

O estudo produzido apresenta na sua estrutura, um capítulo, onde se faz uma descrição rigorosa das condições em que surgiu o Rede Têxtil, dos seus objectivos e das suas principais etapas. De seguida, sistematiza as principais ideias e teorias acerca da problemática da cooperação empresarial. Começa por destacar a importância que a cooperação assume para as empresas da indústria têxtil e do vestuário no contexto actual de globalização dos mercados e de grande mudança tecnológica. Passa depois à análise dos principais tipos de cooperação, classificando a cooperação segundo o seu campo de aplicação, a partilha de capital e a sua natureza horizontal ou vertical. Faz, também, uma análise das vantagens e dos riscos da cooperação. Termina com uma sistematização das condições de sucesso da cooperação. No que concerne aos principais resultados, o relatório analisa de forma empírica a problemática da cooperação empresarial na ITV da actualidade em Portugal. As suas principais conclusões decorrem dos resultados obtidos através de um extenso inquérito realizado no primeiro semestre de 2000. Este inquérito procurou quantificar o grau de cooperação empresarial, actual e potencial, existente na ITV nacional discriminando a análise por áreas funcionais e por tipo de negócio das empresas. A organização deste estudo, tal como a interpretação dos seus resultados, inserem-se numa abordagem sistémica da cooperação. Das conclusões do estudo salienta-se: a existência de um elevado potencial de cooperação mas grande inércia quanto à concretização de estratégias de cooperação; as áreas com maior potencial de cooperação na ITV são o design, o marketing e vendas e a tecnologia; o sector do vestuário incorpora um potencial de cooperação claramente maior e mais abrangente do que o sector do têxtil; as grandes empresas dão preferência a estratégias de crescimento orgânico ou de fusão/aquisição em relação às estratégias de cooperação; as principais barreiras ao processo de cooperação na ITV nacional têm a ver com questões associadas à confidencialidade e aos mecanismos de coordenação inerentes aos processos de cooperação. Quanto ao estudo de casos de sucesso Nacionais e Europeus, procura-se relatar os traços essenciais de alguns casos de cooperação estratégica na indústria têxtil e do vestuário em Portugal e noutros países da União Europeia. Esses casos foram estudados por uma equipa do Rede Têxtil “in loco” e o resultado dessa análise deu lugar a relatórios mais desenvolvidos publicados autonomamente. Em Portugal foram estudados dois casos: “TRL – Têxteis em Rede, Lda” e “LanhosoInveste”. Na UE foram estudados cinco casos, dois em Itália, dois em Espanha e um na Dinamarca. Os dois casos italianos (“Gruppo Tessile Gulliver” e “Gran Tessuto”) apresentam uma grande similitude. Inserem-se numa das principais regiões têxteis da Itália e da Europa, o Vale do Prato, conhecida pela densidade de relações, formais ou informais, de cooperação entre empresas têxteis e entre estas e outras instituições. Os casos “Hotec – Hotel Contract” (Espanha, Região Valenciana) e “CD-Line” (Dinamarca) têm em comum o facto de a cooperação estar directamente associada ao objectivo da internacionalização e da criação de canais de distribuição próprios. Nessa medida, constituem um exemplo particularmente interessante para as empresas portuguesas do sector, as quais têm nesse domínio (marketing internacional, distribuição em mercados externos) uma das principais debilidades. O outro caso estudado em Espanha insere-se igualmente na Região Valenciana, a qual constitui uma das principais regiões têxteis espanholas, nomeadamente no domínio dos têxteis para o lar. A “Sección Textil” é um caso de acção empresarial colectiva no domínio da gestão da qualidade, intervindo numa área em relação à qual as empresas tendem por vezes a considerar, erradamente, dever ser deixada à acção exclusiva de entidades públicas ou para-públicas.   Por último, foram definidos princípios orientadores de promoção de redes de cooperação, onde se destacam a reafirmação da cooperação empresarial como forma relevante de crescimento e de “up-grading” empresarial, a necessidade de acções voluntaristas; a promoção com base num quadro institucional descentralizado (ver quadro), a sustentabilidade com base num maior alargamento do numero e tipo de agentes envolvidos, a relevância da participação de “brokers” e facilitadores privados, a incorporação de elementos de estandardização à actuação dos agentes e a manutenção do financiamento público. Com estes princípios orientadores, foi apresentada uma metodologia faseada de promoção de redes de cooperação que o CENESTAP gostaria de ver aplicada a breve prazo na ITV em Portugal . Esta proposta resulta directamente de um estudo realizado no âmbito do Rede Têxtil ao modelo do Danish Technologic Institut, na versão que actualmente está a ser aplicada no Reino Unido e da experiência directa dos técnicos e consultores do CENESTAP na dinamização de casos de cooperação ao abrigo do projecto. Trata-se de um modelo baseado em cinco fases que assenta a sua intervenção na actividade de “brokers” e “facilitadores”, os quais respectivamente prospectam e identificam casos de cooperação com viabilidade (actividade de “brokerage”) e, numa fase inicial, fornecem apoio à definição dos projectos (nomeadamente nas competências nas áreas de finanças, marketing e tecnologia). Neste modelo, o financiamento público incide sobre a formação e a intervenção (limitada no tempo) de “brokers” e “facilitadores”, bem como sobre a elaboração de um “software” de base que permite estandardizar o diagnóstico realizado pelos “brokers” junto das empresas potencialmente interessadas em cooperar.