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Printemps no museu

A cadeia de grandes armazéns de gama alta Printemps abriu a primeira loja em 32 anos por baixo da Mona Lisa, com a esperança de que o enorme fluxo turístico do Museu do Louvre ajude a contrariar o declínio das vendas no sector do luxo. O foco do grupo em produtos de luxo que atraem visitantes ricos de mercados emergentes como a China e a Rússia ajudaram-no a escapar quase imune aos revezes económicos que afetam o sector do retalho. Mas o crescimento também está a abrandar nesses mercados, sobretudo na China, que enfrenta um ataque governamental contra o consumo ostensivo. A nova loja de 2.500 m2 no centro comercial do Louvre faz parte dos planos do Printemps para gastar 270 milhões de euros nos próximos cinco anos com o objetivo de aumentar o volume de negócios do grupo para 2 mil milhões de euros até 2017, em comparação com os 1,5 mil milhões de euros registados no final de março de 2013. Com um custo de 25 milhões de euros, representa 10% do espaço comercial do centro comercial subterrâneo. O CEO Paolo de Cesare afirmou que a flagship no Boulevard Haussmann, que com 43.500 m2 é muito maior do que a nova loja, irá registar «um bom crescimento das vendas» no ano fiscal 2013/2014. Mas as vendas no Natal foram simplesmente «ok», descreveu, e não irão repetir a performance de dois dígitos do ano anterior. «O ambiente macroeconómico em 2013 foi muito mais difícil do que em 2012. Neste ambiente estamos a registar um crescimento sólido mas não tão espetacular quanto em 2012, embora ainda estejamos bem acima da tendência do mercado», explicou o CEO. «2013 vai ser um ano de crescimento para o Printemps e de bom crescimento para o Haussmann… Estamos a crescer com os consumidores chineses, mas menos do que anteriormente», acrescentou. Segundo a empresa especialista em compras sem impostos Global Blue, o consumo dos turistas estrangeiros em França aumentou 7,7% em 2013, um acentuado abrandamento em comparação com os 28% de 2012. No ano fiscal de 2012/2013, que terminou a 31 de março, o Printemps registou um crescimento de 5,7% nas vendas do grupo, para 1,5 mil milhões de euros, com os grandes armazéns no Boulevard Haussmann a contribuir com 850 milhões de euros, um aumento de 14% em termos anuais. O Deutsche Bank e o Borletti Group compraram a Printemps ao grupo Kering em 2006. No ano passado investidores do Qatar adquiriram, por sua vez, a quota de 30% do Borletti Group no Printemps, assim como 70% da unidade de investimento imobiliário RREEF do Deutsche Bank, por 1,75 mil milhões de euros. Esta será a primeira abertura em 32 anos do Printemps, uma insígnia que remonta a 1865 e tem 16 grandes armazéns em França, que empregam 3.500 pessoas. «Esta é uma grande aceleração no nosso desenvolvimento. Estamos prontos a abrir algumas lojas selecionadas. Estamos muito focados em encontrar ótimas localizações e ótimos projetos», assumiu Paolo de Cesare. Com quase 10 milhões de visitantes em 2012, o Louvre, casa do famoso retrato de Da Vinci, a Mona Lisa, é o museu mais visitado do mundo. O Printemps espera que os turistas estrangeiros gerem 60% das vendas da nova loja. Outras aberturas para breve incluem uma loja Printemps em Marselha este ano e outra em St. Jean-de-Cannes, na Riviera Francesa, em 2015. Há ainda planos para uma loja de desporto Citadium em Toulon e outra em Marselha este ano. A longo prazo, o Printemps pode abrir lojas no estrangeiro, desde que encontre localizações adequadas, sustenta o CEO, apontando a Europa, a Ásia e o Médio Oriente como possíveis áreas de expansão. O Printemps reduziu a sua oferta na nova loja no Louvre a acessórios, sobretudo carteiras, relógios e marcas de beleza, para «mostrar o melhor know-how no luxo e artesanato europeu», expicou Paolo de Cesare.