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Procura de reciclados dispara na Hyosung

A empresa, que produz, entre outras, as fibras de elastano creora, está a trabalhar na inovação, ao mesmo tempo que investe na sustentabilidade, numa altura em que os artigos reciclados estão a ser mais procurados.

Simon Whitmarsh Knight

Na empresa sul-coreana, inovação e sustentabilidade andam de mãos dadas. «A sustentabilidade é importante, mas as pessoas compram produtos com boa performance primeiro», explicou Simon Whitmarsh-Knight, diretor de marketing da região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) na sua intervenção durante a conferência anual da ITMF. É por isso que a Hyosung está empenhada em «trabalhar com parceiros para tentar inovar», afirmou, até porque, «no mundo de hoje, as coisas mudam rapidamente e para sobreviver precisamos de pensar em fazer de forma diferente».

Atualmente, a Hyosung, que conta com nove unidades de produção na área têxtil, a mais recente na Índia, está empenhada em inovar não só no desenvolvimento do produto, mas também no marketing e em «formas de contar histórias reais», revelou Simon Whitmarsh-Knight.

O cliente em primeiro

O primeiro passo, apontou o diretor de marketing da região EMEA, é «pensar nas necessidades» dos clientes, só depois surge a inovação no produto, «como ligamos esses produtos, essas histórias, com as tendências mundiais».

Entre essas tendências estão as fibras multifuncionais, para responder à procura de mais performance, e a utilização de matérias-primas naturais, que permitam conjugar funcionalidade e sustentabilidade. «Produzir uma boa fibra de forma sustentável é o principal», destacou, ao Jornal Têxtil, Simon Whitmarsh-Knight. A Hyosung estabeleceu inclusive uma parceria com a Lenzing para desenvolver uma gama de activewear e, com a marca FatFace, fez poliamida reciclada para swimwear. «Passamos para reciclados mas agora fala-se de regenerativo, em devolver algo de bom ao ambiente», indicou.

Ao Jornal Têxtil adiantou que, nesta área, «estamos a analisar um conjunto muito diferente de coisas, obviamente não posso revelar o que está para vir no futuro mas, em termos de tendências de mercado, estamos onde o mercado está, vemos consumidores, marcas e retalhistas a procurar mais soluções regenerativas, dar alguma coisa de volta, como algo que tire dióxido de carbono da atmosfera. Pode ser uma tendência. Acho que temos mesmo de investigar se é uma tendência sustentável ou algo mais que possa surgir».

Os próximos passos passam igualmente pela poupança de água. «Vai tornar-se uma questão cada vez mais importante para a indústria, por isso estamos a analisar formas de reduzir a utilização de água, tanto na nossa fibra, como no trabalho que estamos a realizar com produtores de vestuário e fábricas para estabilizar o tecido», elucidou.

Reciclados ganham força

O diretor de marketing da região EMEA admitiu que «talvez haja um abrandamento nesta coisa da fast fashion, as pessoas estão a querer comprar menos roupa, mas roupa que dure mais» e as preocupações com a sustentabilidade estão a levar a um aumento da procura de artigos reciclados. «Percebi isso verdadeiramente em julho, numa feira de lingerie em Paris, onde, pela primeira vez, uma empresa de lingerie disse “estou à procura de reciclado”», contou ao Jornal Têxtil.

«O reciclado é uma história fácil de contar ao consumidor. E o reciclado está a ficar melhor, por isso até as empresas de lingerie e underwear podem ter um produto com um bom toque. Certamente que o reciclado é o número um do que as pessoas estão a procurar», acrescentou. Os preços, contudo, continuam a ser um entrave. «Ao longo do tempo, os preços vêm para baixo por questões competitivas. Estamos já a ver isso no poliéster, em que a margem entre o material virgem e o reciclado parece ter reduzido. Na poliamida, o preço do reciclado é ainda mais alto, mas a diferença está também a reduzir. Ao longo do tempo, os preços vão descer», assegurou.

Mas as histórias são muitas e variadas. «Para mim pessoalmente, e também para a Hyosung enquanto negócio, sobretudo na sustentabilidade, há tantas histórias. Reciclados, certificados, a rastreabilidade está a ganhar cada vez mais importância, a certificação também – são coisas que os clientes começam a procurar cada vez mais», concluiu.