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Procura dita produção de vestuário – Parte 1

medida que a economia tem vindo a evoluir, a tecnologia tem igualmente vindo a desenvolver-se, e como os consumidores são cada vez mais atentos e exigentes, as vantagens competitivas das empresas de vestuário assentam em grande parte na sua capacidade de escoar os seus stocks, ao longo dos sistemas de produção e distribuição.

“Quanto mais consigo acelerar os artigos ao longo da cadeia de produção e obter uma melhor rotação dos stocks, maior é o retorno dos meus investimentos”, afirma o responsável de uma empresa fabricante de vestuário.

Nos níveis mais elevados do mercado, a produção ditada pela procura, a par do fabrico por antecipação, não passam de processos criados para levar as empresas de vestuário a adoptar um modelo de produção por medida.

A maior parte das empresas fabrica os artigos e só depois cria os respectivos stocks.

Quando recebem as encomendas, eles substituem os artigos pedidos pelos que já se encontram nesses stocks. Eles fabricam, depois armazenam, e depois vendem a partir do stock que já possuem.

Se olharmos para a indústria do vestuário dos últimos 15 anos, constatamos que uma grande parte da produção se deslocou para países em desenvolvimento, como a China, Índia, México e Brasil, onde os salários são baixos e a maior parte do trabalho é feita manualmente, por pessoas que ganham poucos cêntimos à hora.

No competitivo mercado global dos nossos dias, tudo é apressado, desde que se recebe a encomenda, até esta ser entregue nos prazos mínimos. E quanto melhor uma empresa for neste processo, maiores são as probabilidades dela entrar no circuito das grandes encomendas.

Assim, os fabricantes e retalhistas de vestuário estão a aproximar-se do modelo de resposta “real-time”, respondendo desta forma às flutuações na procura dos consumidores, muito mais do que nos dispendiosos e trabalhosos inventários.

Parte desta nova perspectiva das empresas de vestuário é baseada na recente crise económica, que forçou as empresas a serem mais eficientes do que nunca.

“À medida que a indústria recupera de uma economia em crise, os fabricantes globais necessitarão de transformar a forma como fazem negócios”, afirma um responsável da PeopleSoft, adiantando que “a eficácia interna por si só não é suficiente para garantir uma sólida vantagem competitiva, e as empresas devem adoptar o real time, bem como as soluções que lhes permitam responder e gerir as expectativas de um mercado muito volátil.”

No entanto, a economia não é o único factor a ter em conta.

A moda é uma área muito volátil, que muda frequentemente, ao fim de poucos meses, e por isso prever as respectivas tendências com pouca antecedência é mais uma arte do que uma ciência.

As empresas devem assim ser o mais realistas possível na previsão dos stocks e aceitar o facto de terem que lidar com essas decisões, isto é, todos os fabricantes devem compreender que devem reduzir as quantidades de artigos em armazém.

Por outro lado, a opção e gestão de uma produção baseada na procura e ordens de encomenda nem sempre é fácil.

Esta abordagem exige tecnologia que possibilite a esses fabricantes melhorar a cooperação com os seus fornecedores, bem como áreas-chave como a visibilidade, comunicação e flexibilidade.

Este modelo de produção implica também uma tecnologia avançada de gestão das encomendas e logística – a chamada RFID –, além de técnicas de planeamento e execução igualmente avançadas.

Finalmente, as empresas que implementem novos processos de gestão da produção, necessitam ainda de um ambiente de negócios que aceite e adopte claramente a mudança e as medidas tomadas pelos órgãos da gestão de topo, desenhadas para ajudar as empresas a reformular as suas operações.