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Produção da ITV pode cair mais de 50%

Um estudo recente da Euratex revela que a queda na produção e nas vendas de têxteis e vestuário na Europa deverá superar os 50%. Os números seguem-se a um ano de 2019 já difícil e numa altura em que o Velho Continente, e o mundo, lutam contra a ameaça do Covid-19.

De acordo com o comunicado da Confederação Europeia do Têxtil e Vestuário Euratex, os dados de 2019 revelados pelo gabinete de estatística Eurostat para a indústria têxtil e vestuário espelham um abrandamento económico na União Europeia (UE), com uma queda do emprego superior a 2% e, pela primeira vez desde 2012/2013, uma evolução negativa do volume de negócios, com uma redução de 2% para os têxteis e de 1,3% para o vestuário, em comparação com 2018.

Para o retalho, o ano passado não foi tão negativo, com as vendas de têxteis, vestuário, calçado e artigos em couro em lojas especializadas a manter-se positivo (+0,9%). A UE a 27 registou um valor de vendas superior a 170 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 4% face ao ano anterior.

Para 2020, no entanto, o cenário é bem mais negro, sobretudo devido ao surto do novo coronavírus. Segundo a Euratex, a confiança na indústria «caiu de forma dramática» em março, baixando 6,7 pontos para o têxtil, para um valor abaixo de -20, e 7,6 pontos para a indústria de vestuário, para cerca de -18.

Encerramentos no horizonte

Os resultados preliminares de um estudo que a confederação está a fazer junto de empresas europeias revelam que mais de metade dos inquiridos prevê uma queda na produção e nas vendas superior a 50%. Além disso, quase 9 em cada 10 empresas estão a enfrentar restrições graves relativamente à sua situação financeira e 80% estão, temporariamente, a recorrer ao lay-off de trabalhadores. Um em cada quatro inquiridos está mesmo a considerar encerrar a empresa.

Dirk Vantyghem

Uma situação preocupante para a Euratex. «Os controlos de fronteiras dentro da UE aumentaram acentuadamente, levando a atrasos nos fornecimentos mas também ao cancelamento de encomendas, agravando o impacto económico», descreve a confederação. «Muitas empresas do sector têxtil e vestuário trabalham sob uma enorme pressão global, com capacidade de absorção limitada para uma crise deste tipo e este estudo mostra que é necessário tomar medidas imediatamente», alerta, dando conta que já foram submetidos pedidos para a Comissão Europeia providenciar soluções fiscais e financeiras que permitam aliviar a pressão, que sejam transversais a todos os Estados-Membros.

«A União Europeia e os seus Estados-Membros devem fazer tudo o que for necessário para salvar a nossa indústria. Ao mesmo tempo, esta crise é uma oportunidade para desenvolver um novo plano para o nosso sector. A nova Estratégia Industrial da UE da Comissão pode oferecer uma base para repensar o nosso modelo de negócio», acredita Dirk Vantyghem, diretor-geral da Euratex.

Resposta ao Covid-19

Ao mesmo tempo que está preocupada com o negócio e o futuro da indústria, a Euratex está também a tentar contribuir para o combate à pandemia, nomeadamente com a coordenação e cooperação entre empresas da UE.

Sublinhando que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, serão necessárias 89 milhões de máscaras por mês, a confederação está a identificar opções para aumentar a disponibilidade de máscaras de proteção na UE, trabalhando com «os seus membros e a Comissão Europeia para rapidamente identificar soluções que funcionem e aumentar a segurança relativa dos cidadãos europeus», indica em comunicado no seu website, onde pode ainda ser encontrada uma lista com a oferta disponível e as necessidades das empresas neste âmbito. Na lista atualizada a 15 de abril, constam, de Portugal, a Carola e Carola, a Givec, a Hindu, a Latino Confeções, a Shou, a Balutêxtil, a FNDMT, a SMSenra, a Prozis, a Olímpio Miranda, a 5D, a Lopes & Carvalho, a Carjor, a Luís Brito Têxteis, a JFV Têxteis e a Universidade do Minho, com a possibilidade de produção de artigos que vão das máscaras às batas de proteção, passando pelas cogulas.