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Produção e consumo de algodão aumenta

As mais recentes previsões do ICAC para este ano antecipam um crescimento em praticamente todos os indicadores relacionados com o algodão, com apenas o comércio mundial a registar uma descida. Índia, China e EUA deverão manter-se como principais produtores, com destaque ainda para a retoma na África Ocidental.

[©Flickr/Kimberly Vardeman]

Com 13 semanas para o fim da época de algodão 2021/2022, as previsões do International Cotton Advisory Committee (ICAC) apontam para um aumento da área de cultivo, da produção e também do consumo. A única exceção será o comércio mundial, que foi afetado por diversas interrupções ao longo da cadeia de aprovisionamento devido a dificuldades de transportes e logística.

«Por outras palavras, a procura manteve-se em alta o ano inteiro – o problema foi mesmo conseguir que a fibra passasse de um sector da cadeia de aprovisionamento para o próximo e, por fim, chegasse às prateleiras das lojas e às mãos dos consumidores», sublinha o ICAC no resumo da publicação Cotton This Month.

Embora os números fortes das exportações dos EUA sejam um sinal encorajador de que os problemas estão a diminuir, a acumulação vai demorar tempo a desaparecer através do intrincado sistema de envios e transportes e pode demorar vários meses até normalizar completamente, adverte o ICAC.

Entre os vários países que registaram crescimento, o ICAC destaca a África Ocidental, que, afirma, fez «uma reviravolta incrível», liderada pelo Mali, com uma produção de 319 mil toneladas. Depois de uma queda de 22%, a área de cultivo de algodão nos países da África Ocidental subiu 44% em 2021/2022.

Ainda assim, a produção mundial é liderada pela Índia, com 5.794 mil toneladas, seguida da China, com 5.730 mil toneladas, e dos EUA, com quase 3.900 mil toneladas. O resto do top 10, que encerra com o Mali, é ocupado pelo Brasil (na 4.ª posição, com cerca de 2.800 mil toneladas), Paquistão (1.260 mil toneladas), Austrália (1.1158 mil toneladas), Uzbequistão (940 mil toneladas), Turquia (833 mil toneladas) e Argentina (411 mil toneladas).

Os preços médios avançados pelo ICAC para o índice A para a época 2021/2022 variam entre os 1,09 dólares (1,03 euros) e os 1,29 dólares, com o ponto médio em 1,15 dólares por libra.

PSAC reúne toda a cadeia

Recentemente o ICAC lançou um novo órgão para representar todos os sectores da cadeia de aprovisionamento do algodão. O Private Sector Advisory Council (PSAC), como foi batizado, significa que há um comité de especialistas que combina as perspetivas e as opiniões de todos os sectores da cadeia de aprovisionamento do algodão pela primeira vez na história da indústria.

[©Pixabay/Hell0Fid0]

O PSAC surgiu do sucesso do seu antecessor, o Private Sector Advisory Panel (PSAP), cujos membros eram profissionais do sector privado de várias áreas da cadeia de aprovisionamento do algodão. O atual PSAC conta com quatro comités permanentes: fiações, tecelagens e construtores de maquinaria; marcas e retalhistas; produtores e preparadores de algodão; e comerciantes e auxiliares.

«Os governos reconhecem a importância de trabalhar mais de perto e em colaboração com o sector privado para desenvolver políticas nacionais e iniciativas internacionais que ajudem a promover uma cadeia de aprovisionamento sustentável e transparente e aumente a procura por algodão», justifica Kai Hughes, diretor-executivo do ICAC. «Para melhor representar a cadeia mundial de aprovisionamento de algodão, o ICAC substituiu o PSAP por um PSAC mais inclusivo e diverso, cujos membros consistem em associações internacionais, nacionais e regionais que abrangem todos os sectores, da produção e comércio [de algodão] aos têxteis, retalhistas e marcas», conclui.