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Produção mundial de calçado continua a crescer

A produção mundial de calçado não dá sinais de abrandar. Actualmente, situa-se em cerca de 14 mil milhões de pares, o que traduz um crescimento médio anual na ordem dos 5,5%. De acordo com o noticiado pelo Vida Económica, este crescimento fica a dever-se, essencialmente, aos contributos da China, da Índia, do Vietname e do Brasil. A Europa, por seu lado, continua a perder terreno neste cenário. A China já não constitui surpresa, assegurando mais de 60% da produção mundial, seguida da Índia e do Brasil, refere a Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes e Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS). Em contrapartida, a Itália é o único país europeu que aparece no ranking dos maiores produtores mundiais, na sexta posição. A Turquia, entretanto, foi empurrada para o último lugar dos dez maiores, passando o México para a nona posição. Preocupante é o facto de a produção europeia ter registado uma quebra de 9% (dados de 2004), para apenas 646 milhões de pares. A descida na produção italiana foi determinante neste comportamento. O panorama é ainda mais negro para os europeus se se tiver em conta o que se passa ao nível das exportações. É cada vez mais evidente o peso da China, sendo que continua a aumentar as vendas para os Estados Unidos. Mas Portugal ainda ocupa um lugar de destaque. Estamos no ranking dos maiores exportadores nacionais, com a décima posição em quantidade e a sétima em termos de valor. Quanto a consumo, China, Estados Unidos e Índia mantêm a liderança. Na Europa, os maiores consumidores de calçado são o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Itália. Indústria europeia pressiona CE Tendo em conta este cenário, está a aumentar a pressão sobre a Comissão Europeia (CE) para a definição da continuidade das medidas anti-dumping a aplicar sobre a China e o Vietname. O que os fabricantes europeus pretendem é que as taxas anti-dumping passem a definitivas por um período de cinco anos e que sejam incluídas duas categorias, para além do calçado em pele: o calçado de criança e o de segurança. Além disso, é uma exigência a implementação da indicação de origem dos produtos. Relativamente ao calçado de criança, o argumento de peso é que devem ser satisfeitos os requisitos de qualidade e de natureza técnica. Por outro lado, é referido que o facto de na investigação anti-dumping anterior o calçado de criança ter sido excluído não pode representar um precedente, até porque a ameaça chinesa e vietnamita é hoje muito superior à de então. Serão as empresas de calçado europeias aquelas que estarão em melhores condições de darem resposta aos requisitos impostos a este tipo de calçado. No entanto, a China está disposta a contrariar esta situação. Está prevista a deslocação de uma delegação chinesa a Bruxelas, no sentido de protestar contra as barreiras comerciais impostas às importações europeias de calçado daquele país.