Início Arquivo

Produzir na Europa

A Barbara Bui, uma das poucas marcas de moda francesa cotada na Bolsa, está a repatriar parte da sua produção da Ásia para a Europa a fim de melhorar a qualidade e as vendas, que deverão aumentar cerca de 10% este ano. A marca, conhecida pelos casacos de couro rock-chic e modelos elegantes, foi severamente atingida pela crise financeira, mas deverá registar um pequeno lucro novamente este ano, apesar dos custos com a abertura de uma flagship em Los Angeles. «O ano começou muito bem para nós, as redes de distribuição por grosso estão numa fase de recuperação», referiu o director-executivo da Barbara Bui, Jean-Michel Lagarde. Lagarde afirmou também que espera que o volume de negócios da marca no canal grossista, que equivale a dois terços das vendas, aumente 7% a 8% este ano, enquanto o volume de negócios das suas 13 lojas deverá aumentar 8% a 10%. As vendas caíram para 29,3 milhões de euros no ano passado, em comparação com os 30,2 milhões de euros em 2009, com o negócio das vendas por grosso a manter-se fraco. A Barbara Bui obteve um lucro de 4,3 milhões de euros no final do ano, que deverá ser suficiente para financiar novas lojas este ano, incluindo um novo outlet em Beirute. A empresa pôs um ponto final na sua segunda linha mais barata há cinco anos apesar do seu sucesso comercial e está agora centrada em subir de gama e desenvolver uma imagem de luxo, uma estratégia que levou a trazer parte da sua produção para a Europa. «Estamos actualmente numa vaga de repatriação da nossa produção mesmo que isso signifique custos mais elevados», explicou Lagarde. «Por exemplo, tentámos fazer carteiras na Ásia mas a qualidade não era suficientemente alta», acrescentou. As carteiras da Barbara Bui são vendidas a uma média de 800 a 1.200 euros, enquanto os seus vestidos têm preços entre os 900 e os 1.400 euros. Segundo Lagarde, ter produção em países como a Roménia, Bulgária e Hungria, em oposição à Ásia, facilita a interacção regular com os produtores, um controlo de qualidade mais apertado e permite que os produtos cheguem mais rapidamente ao mercado. Ao mesmo tempo, a produção na China estava a tornar-se cada vez mais cara em comparação com outros centros de produção asiáticos como o Vietname. Desta forma, o sourcing da marca na Ásia foi reduzido para 15% em comparação com os quase 30% de há dois anos. Criada em 1983, a Barbara Bui é controlada pelo director-executivo William Halimi, que detém 40%. O seu pai tem 6%. A ex-mulher de Halimi e designer Barbara Bui detém 20%, enquanto o restante está na Bolsa de Valores de Paris. A marca, que é vendida em department stores como o Printemps em Paris e o Gum em Moscovo, entrou na Bolsa em 1988 cotada a 22 euros por acção. As acções atingiram um máximo de 92 euros em Março de 2007, mas caíram acentuadamente em 2008 e 2009. Desde 1 de Janeiro de 2011 que o seu valor mais do que duplicou e as acções estão agora a cerca de 40 euros, o que avalia o negócio em cerca de 24,5 milhões de euros.