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Promoções antecipadas baralham consumidores

Com uma quebra nas vendas entre 20 e 30%, as grandes cadeias de pronto-a-vestir foram as primeiras a baixar os preços, fazendo com que os pequenos comerciantes tivessem de fazer o mesmo. Em afirmações ao Diário de Notícias, Carla Salsinha, da União das Associações de Comércio e Serviços (UACS), afirmou que “há uma retracção do consumo, que provocou um decréscimo nas vendas, levando os comerciantes a antecipar as promoções na tentativa de anular a queda das vendas”. Ainda segundo Carla Salsinha e Luís Faria, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), esta antecipação das promoções está a provocar confusão nos consumidores. Isto, devido ao período que intermédio entre os saldos de Outono/Inverno e as promoções da colecção Primavera/Verão é muito curto, o que leva os consumidores a esperar pelas promoções. E quando se chega à verdadeira época de saldos (Agosto/Setembro), a maioria das lojas, especialmente as grandes cadeias, têm já as novas colecções Outono/Inverno. Esta situação, segundo os responsáveis da UACS e da CCP, está a deixar os consumidores “baralhados”. Lojas como a Benetton, Zara, Mango, Loja das Meias, etc., estão já a praticar descontos até 50%. E num ponto os comerciantes estão de acordo: “está a vender-se agora o que não se vendeu no princípio do ano”. No entanto, quando a verdadeira época de saldos chegar (estipulada por lei para vigorar entre Agosto e Setembro), já os consumidores estão cansados e começam a pensar na próxima estação. Mas é precisamente aqui que entra o poder das grandes cadeias de vestuário, que apresentam uma grande rotação de stocks, oferecendo ao cliente aquilo que ele quer, ou seja, a nova colecção. Desta forma, o comércio tradicional vai ter apostar na inovação e cada vez mais apostar na fidelização do cliente. Também em relação aos preços que as grandes cadeias promovem nas épocas de promoções e saldos, especialmente os descontos acima dos 50%, são também uma das grandes armas destas lojas. Situação que o comércio tradicional não consegue igualar, pois estas reduções acima dos 50% significam muitas vezes vendas com prejuízo, situação punível por lei. Tanto Carla Salsinha da UACS como Luís Faria da CCP, estão de acordo quando consideram que “a recessão acabou por acelerar as promoções”.