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À prova de tubarões

Uma equipa de investigadores australianos desenvolveu um fato de surf com riscas que poderá proteger os amantes deste desporto aquático das investidas dos tubarões.

Para entender o motivo de tantas pessoas se sentirem atraídas por estas criaturas mortais, basta escutar o sociólogo E.O. Wilson: «não temos medo de predadores, sentimo-nos paralisados por eles… Adoramos os nossos monstros».

O melhor exemplo desse paradoxo vive-se este verão nas praias das Carolinas americanas: apesar dos ataques de tubarão que se fazem sentir na costa, a “Semana do Tubarão” do Canal Discovery contou com o maior número de horas alguma vez emitido de programação dedicada ao tema. O comum dos mortais tem, pelo menos, um pouco de medo de tubarões, mas parece não cansar-se deles. Talvez isso explique o porquê de surfistas corajosos se aventurarem em águas infestadas de tubarões, uma vez mais em busca da onda perfeita, sofrendo, eventualmente, alguns ataques de tubarão em resultado da ousadia.

Na sequência de uma onda de ataques de tubarão, cinco dos quais fatais, na costa ocidental da Austrália, há alguns anos, o kite surfer e empresário Hamish Jolly começou a explorar formas de proteger os entusiastas do desporto, sem os obrigar a sair da água. Em 2013, no evento TedxPerth, Jolly apresentou os resultados da sua pesquisa: uma série de fatos de surf com riscas, que visam confundir e intimidar os tubarões, assegurando a proteção dos surfistas.

Em parceria com Nathan Hart, neurobiólogo da Universidade da Austrália Ocidental e com o designer industrial Ray Smith, Hamish Jolly descobriu que um fato com um painel escuro e braços e pernas com riscas seria melhor para os surfistas, uma vez que próximo à superfície da água e à contraluz, é difícil percecionar uma silhueta. O design assemelha o surfista a um peixe-leão ou enguia do mar, dos quais os tubarões geralmente não se alimentam. Para a prática do mergulho, a equipa de Jolly criou um fato azul que pretende esconder o mergulhador dentro da água.

Num vídeo de teste, o padrão de riscas parece funcionar quando se utiliza um isco não-humano. Enquanto o tubarão atacou rapidamente o alvo revestido de neopreno preto comum, afastou-se simplesmente daquele revestido com listas de zebra. Os testes com seres humanos estão a decorrer, revelou Hamish Jolly. Outros investigadores não se mostram tão otimistas face a esta invenção. Além da visão, os tubarões usam outros sentidos, como o olfato e a audição, para encontrar as suas presas. George Burgess, diretor do Programa da Florida para a Pesquisa sobre Tubarões, afirmou à National Geographic que o padrão listado pode ser ainda mais tentador do que um design standard.

«Esse fato listado, que supostamente se assemelha a um peixe-leão, é a melhor coisa para atrair um tubarão, devido ao contraste entre claro e escuro», explicou. A empresa de Hamish Jolly, a Shark Attack Mitigation Systems (SAMS), vende o fato por 440 dólares, um preço que pode ser reduzido para garantir a integridade dos quatro membros. No entanto, uma página de aviso adverte que «é impossível para o SAMS garantir que 100% dos tubarões serão dissuadidos em todas as circunstâncias com a tecnologia SAMS». E isso não é necessariamente culpa do SAMS, pois «todos os tubarões são perigosos e criaturas imprevisíveis».