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Pugh em versão sensorial

Na troca de Paris por Nova Iorque, pelo menos para a apresentação da coleção para a primavera-verão 2015, Gareth Pugh trouxe, na estreia, uma lufada de ar fresco e um espetáculo único à Big Apple, em vez do habitual desfile. Não houve manequins nem sequer uma passerelle, apenas um armazém gigante e uma série de ecrãs. O criador de 33 anos tinha prometido «uma experiência de moda imersiva juntando design, performance e tecnologia» e foi isso mesmo que orquestrou num armazém gigante na South Street de Manhattan, por detrás do bairro de Chinatown e perto do East River. Oito ecrãs foram montados em círculo. Um pouco mais longe estava uma parede de vídeo com nuvens ameaçadoras, que por vezes despareciam por detrás de um nevoeiro artificial. Ainda mais longe, mais uma parede de vídeo. O público esperou sem saber exatamente pelo quê, aproveitando o bar aberto e os mini falafels oferecidos pelos serventes que calcorreavam o espaço. A atriz nova-iorquina Sarah Jessica Parker desapareceu por detrás de uma cortina preta. E de repente começou o espetáculo. Nos oito ecrãs apareceram e desapareceram silhuetas góticas e parecidas com marionetas, enormes chapéus em branco e preto e corpos cobertos totalmente por riscas brancas e pretas, com grandes cornos, num caleidoscópio rápido. Isso pôs fim ao primeiro ato. A multidão moveu-se para um segundo ecrã. Depois veio o terceiro ato. Mais bailarinos no ecrã maior e no local. Houve uma dança tribal, céu ou inferno, ninguém sabia. No ecrã, uma figura de Messias tipo fénix levantou-se, vestido de branco. Gritos, palmas e acabou. «Ó meu Deus, isto é fantástico», murmurava um espetador encantado. Para os que queriam perceber, uma curta nota de Gareth Pugh foi entregue. «Sempre estive interessado no movimento e na dança e esse interesse tem sido a base de muito do meu trabalho nos últimos 10 anos», referia. «É também uma ambição há muito tempo apresentar o meu trabalho de uma forma que seja completamente imersiva», acrescentava. A sua coleção para a primavera-verão 2015 foi baseada no que o designer de moda apelida de «uma obsessão com o folclore britânico e a sua multitude de ritos e rituais». Gareth Pugh descreve-a como uma viagem «através de uma anarquia pagã» que referencia forças opostas «preto e branco, positivo e negativo, caos e controlo». A parte final foi «talvez a mais profunda: a imagem da fénix, um ícone intemporal de renovação», concluía a nota.