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Puma mostra garra

O potencial de novos produtos, como a linha assinada por Rihanna e os ténis de corrida promovidos por Usain Bolt, podem levar a marca alemã Puma a atingir novamente bons resultados já em 2016, numa altura em que os rumores de uma eventual venda por parte do grupo Kering estão a ser desmentidos.

«Vamos começar a ver uma melhoria dos números no próximo ano», afirma o presidente-executivo Bjorn Gulden, que foi nomeado pelo grupo de artigos de luxo francês, em 2013, com o objetivo de voltar a focar a Puma no segmento de desporto, na sequência de uma diminuição das vendas resultante de uma mudança para produtos de moda.

As ações da Puma subiram 4,1%, após a Bloomberg ter divulgado, no passado dia 5 de novembro, que o grupo Kering estaria a ponderar a venda da sua participação, depois de oito anos de colaboração. O grupo Kering, contudo, recusou-se a comentar.

Considerando que este tem sido um rumor recorrente ao longo do último ano, Gulden assegurou não ter qualquer indicação nesse sentido, adiantando ter já concluído dois-terços do plano de recuperação acordado com o grupo Kering.

Depois de ter ficado ainda mais para trás face aos líderes de mercado Nike e Adidas, sob a orientação de Gulden a Puma tem incidido nas modalidades desportivas mais populares, como o futebol, corrida e desportos motorizados e com a nomeação, no ano passado, de Rihanna para o cargo de diretora-criativa, deu um novo impulso à marca para responder ao crescimento das vendas da linha feminina.

A rival alemã Adidas incluiu também a contribuição de celebridades, como Kanye West e Pharrell Williams, na conceção dos seus produtos, cujos efeitos se fizeram sentir positivamente sobre os resultados trimestrais da marca.

 Linha Rihanna

As vendas globais de vestuário desportivo feminino estão a crescer mais rapidamente do que as vendas de artigos destinados ao público masculino, acompanhadas do crescimento da tendência de athleisure – que combina os conceitos de lazer e prática de atividades desportivas –, que tem contribuído para a ascensão da cadeia de vestuário de ioga Lululemon Athletica Inc. e para a crescente procura da marca Adidas Originals.

A Nike revelou, no mês passado, que espera duplicar as vendas para o público feminino até 2020, aumentando o negócio para 11 mil milhões de dólares (10,3 mil milhões de euros), o equivalente a 22% das vendas da marca, face aos atuais 19%.

A Puma revelou que o primeiro modelo de calçado assinado por Rihanna, batizado “Creeper”, esgotou em poucas horas, tendo já planeado o lançamento de uma coleção completa de vestuário e calçado em 2016.

Gulden refere que o feedback positivo dos retalhistas faz antecipar uma receção igualmente otimista aos outros produtos, como o modelo de calçado “Ignite”, promovido por Bolt, permitindo-lhe confirmar as previsões anuais para a marca. Bolt estará em destaque em 2016, ano em que irá defender o seu título nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O lucro da marca no terceiro trimestre caiu 31%, fixando-se em 20 milhões de euros, com as vendas ajustadas em termos de câmbios a aumentarem 3,1%, para 914 milhões de euros, ficando próximo dos valores mais baixos das previsões apresentadas pelos analistas.

A Puma antecipa que a valorização do dólar em 2015 conduzirá a uma diminuição do lucro operacional da marca, para números entre 80 milhões de euros a 100 milhões de euros, face a 128 milhões registados em 2014. As medidas tomadas para combater os efeitos do impacto cambial, como o aumento dos preços, deverão ainda significar uma queda mais suave da margem de lucro bruto.