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Pura sustentabilidade

Mais de 1.100 participantes estiveram presentes para escutar as perspetivas de 23 palestrantes, que focaram aspetos como o comportamento do consumidor, a reciclagem e as emissões de CO2 – questões fulcrais para orientar a indústria da moda no sentido de um caminho mais sustentável. Justin Keeble, diretor de serviços de sustentabilidade da Accenture em toda a Europa, África e América Latina, revelou que o mercado global da moda sustentável cresceu 40% desde 2000. Keeble alertou que «mais de 90% de todas as peças de vestuário são eliminadas num prazo de seis meses. Necessitamos de criar uma economia circular para a indústria da moda». Helena Helmersson, diretora de sustentabilidade da H&M partilhou que a mais recente pesquisa de mercado da sua empresa indicou que a procura dos consumidores por moda produzida de forma ecológica e socialmente responsável estava a «evoluir rapidamente…». Helmersson explicou que «em apenas um ano, de 2012 a 2013, assistimos a um aumento de 21% nos consumidores que referem estar interessados em sustentabilidade». A retalhista sueca reviu as suas práticas de compras, desde a produção do tecido até aos pontos de venda, e entre outras coisas descobriu a necessidade de capacitar os trabalhadores das fábricas para que possam negociar salários justos. Mas este tipo de abordagem holística poderá ser difícil de comunicar aos consumidores, acredita Helmersson . Embora possam avaliar a sustentabilidade de um tecido utilizado, têm dificuldade em visualizar outros elos da cadeia de aprovisionamento, justificou. «A transparência deve capacitar as marcas individuais para fazerem escolhas reais, conscientes ao longo de toda a sua cadeia de valor», defendeu Helmersson, «mas também pode ajudar a tornar a sustentabilidade (…) desejável para os clientes. Porque sabemos que a moda sustentável só pode ser bem-sucedida quando é apelativa e acessível». Para além de publicar a sua lista de fornecedores e relatórios periódicos de sustentabilidade, a H&M tem também trabalhado com a International Association for Textile Care Labelling (Ginetex) para lançar formalmente o projeto Clevercare – um sistema que fornece informações aos consumidores sobre como cuidar as roupas para durarem mais tempo, usando métodos menos tóxicos na limpeza. A transparência e a produção sustentável estão também a ajudar as empresas a recrutar trabalhadores talentosos, afirmou Marco Bizzarri, presidente-executivo da marca de luxo italiana Bottega Veneta. Bizzarri revelou que quando fala com potenciais colaboradores, uma das primeiras perguntas que recebe é «o que está a sua empresa a fazer para ser sustentável?». Para responder de forma eficaz a essa pergunta, Bizzarri sustentou que as empresas devem ter total controlo sobre os produtos, desde a pré-produção até ao consumidor final. Não é apenas uma questão de responsabilidade social das empresas, trata-se de gestão de recursos humanos, argumentou. «O bem-estar dos nossos colaboradores é fundamental. (…) Quanto melhor realizam [o seu trabalho], mais eu vendo e mais bem-estar posso proporcionar, e todos ficam felizes», sublinhou o presidente-executivo da Bottega Veneta. Todas as matérias-primas da marca de luxo italiana provêm da Europa, o que torna mais fácil verificar a sua produção. No final do ano, a Bottega Veneta vai lançar uma coleção de bolsas em que o couro foi certificado ao longo de toda a cadeia, desde a criação, fabricação e transporte até aos pontos de venda. Bizzarri referiu que o crescimento da sustentabilidade em toda a indústria não deve ser deixado para ações voluntárias por empresas específicas e apelou para o estabelecimento de regras e padrões comuns a acordar para a indústria da moda, implementadas ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento, à semelhança do que acontece com a indústria alimentar. Para Livia Firth, diretora criativa da empresa de consultadoria Eco-Age, a sustentabilidade não é apenas uma questão de problemas abstratos como as alterações climatéricas. Trata-se de problemas sociais. «As nossas cadeias de aprovisionamento são compostas por pessoas e os consumidores não querem apenas comprar um produto. Eles querem saber a história subjacente, de onde o produto veio», explicou. Firth e os seus colegas estão atualmente a trabalhar para garantir que as histórias das pessoas no início da cadeia de aprovisionamento chegam ao consumidor final. «Carregamos as histórias das pessoas que fabricaram as nossas roupas», afirmou a diretora criativa da Eco-Age.