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PVD a crescer só com têxteis na mesa das negociações

O novo relatório do Banco Mundial (BM) afirma que a expansão do comércio poderá ajudar a aumentar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em cerca de 0,5% e a longo prazo, ou seja, em 2015, tirar 300 milhões de pessoas da pobreza para além dos 600 milhões que escapariam com o crescimento normal. Para isso irão contribuir a remodelação do sistema do comércio mundial e a redução das barreiras alfandegárias que poderia levar os Países em Vias de Desenvolvimento (PVD) a ganhar cerca de 1,67 biliões de euros adicionais ao seu rendimento dos próximos dez anos posta em pratica essa política. Em contrapartida, os Países Desenvolvidos (PD) veriam os seus rendimentos aumentar cerca de 1,44 biliões de euros. Uri Dadush, director do Grupo de Perspectivas e Políticas Económicas do Banco Mundial recorda que «para que isto aconteça, os PD têm de estar dispostos a pôr a agricultura e os têxteis sobre a mesa de negociações porque estes são os produtos que os PVD produzem». Segundo este «uma ronda que elimine as barreiras na agricultura, avance o calendários dos têxteis, e aceite cortar com as medidas anti-dumping e ao mesmo tempo tenha em conta as preocupações dos países industrializados, tem o potencial para ser uma verdadeira “Ronda do Desenvolvimento”». Neste relatório do Banco Mundial estão também expostas as perspectivas a curto prazo que se adivinham pouco favoráveis para as nações mais pobres, devido ao abrandamento verificado nos EUA, Europa e Japão depois doas atentados de 11 de Setembro. Prevê-se um crescimento do PIB de 2,9% para os PVD, uma diminuição de cerca de 50% em relação ao ano 2000, mas a perspectiva é que os países industriais comecem a recuperar em meados de 2002, podendo chegar a atingir os 3,7%. Mas a longo prazo as perspectivas são mais positivas, em grande parte devido «à melhor gestão macro-económica, ao aumento das poupanças, a uma maior abertura e maior diversificação», o crescimento médio per capita será de 2,5% em 2005/15 tanto para os para os PVD como para as nações ricas. Também os mercados de exportação deverão recuperar de forma sólida em 2003, apesar dos preços das matérias-primas poderem manter a tendência depressiva ainda durante algum tempo. O debate sobre a eliminação de barreiras comerciais será discutido brevemente na nova Ronda da Organização Mundial do Comércio a realizar-se ainda este mês e o Banco Mundial não deixa de pedir aos países ricos para dar livre acesso aos seus mercados aos países de baixo rendimento.