Início Notícias Tecnologia

PVH prepara futuro do vestuário

No início deste ano, a gigante do vestuário norte-americana PVH apresentou o Innovation Next, um departamento dedicado a preparar a chegada das inovações da indústria – incluindo roupas conectadas e uma nova cadeia de aprovisionamento.

Em 2016, muitas foram as notícias que davam conta da pujante inovação no segmento de vestuário de alta performance, com as gigantes de vestuário desportivo Under Armour, Nike e Adidas a explorarem alternativas de desenvolvimento de produtos disruptivos e processos de fabrico mais eficientes. Há, no entanto, uma revolução mais serena em curso no grupo PVH, o segundo maior importador de vestuário norte-americano e proprietário de marcas líderes de mercado, como a Calvin Klein, Tommy Hilfiger, Izod e Speedo.

No início do ano, a empresa criou o departamento Innovation Next. «Os departamentos de inovação podem ser think ­tanks ou, no pior dos cenários, pode ser onde as boas ideias morrem», afirma Barry McGeough, responsável pelo Innovation Next da PVH, ao Just-style. «O nosso objetivo não é sermos apenas um think tank, nós queremos ser o departamento de inovação mais produtivo na indústria», acrescenta.

Embora a inovação faça parte da PVH há muitos anos, a nova unidade é liderada por uma equipa de seis pessoas, com diferentes equipas dedicadas a cada marca, de forma a impulsionar necessidades específicas. O seu foco abrange «várias áreas críticas do negócio», nas quais «a equipa vai trabalhar ao nível da química, da fibra, do fabrico, da engenharia, do processo e dos mercados», incluindo vestuário conectado e tecnologias wearable e implicações para a cadeia de aprovisionamento.

Contudo, McGeough considera que, embora quase todas as grandes empresas de vestuário nos EUA estejam a investir fortemente em pesquisa e desenvolvimento e inovação, «não sabem bem que isso é». Na indústria do vestuário, explica, «as ideias são trazidas até nós regularmente pelos nossos fornecedores e parceiros. O problema agora é que, no nosso mercado, tão competitivo como é, não podemos ser tão bons como todos os outros, precisamos de ser os melhores».

O responsável pelo Innovation Next da PVH ressalva também que, tradicionalmente, as empresas de confeção não estão habituadas ao nível de investimento em investigação e desenvolvimento dos sectores farmacêutico ou biotecnológico. «Estão habituadas a destacar 5%, 10%, 15% para I&D», analisa.

Vestuário conectado

Uma área de particular interesse para Barry McGeough é o vestuário conectado onde, essencialmente, em vez de dispositivos que interagem com telemóveis para rastrear ou monitorizar a atividade do utilizador, a linha ou a fibra da peça fazem o trabalho do dispositivo. «Estamos a olhar para um mundo – que vai chegar muito, muito em breve – no qual vamos esperar que o nosso vestuário faça o trabalho dos nossos wearables e as coisas que o nosso vestuário faz vão ser mais importantes e mais úteis para nós. Esperamos uma experiência seamless em todos os aspetos das nossas vidas, por isso vamos esperar que o nosso vestuário seja tão inteligente como tudo o resto nas nossas vidas, as nossas roupas serão tão inteligentes como os nossos telemóveis, serão tão inteligentes como as nossas conexões digitais. E se entendermos que há uma inevitabilidade para isso, então podemos começar a preparar-nos e a planear isso», admite.

Nova rede

Para se aproximar desse objetivo, a PVH aderiu à rede Advanced Functional Fabrics of America (AFFOA), que está a trabalhar para transformar fibras, fios e tecidos convencionais em dispositivos e sistemas sofisticados, integrados e em rede, que podem ver, ouvir, sentir, comunicar, armazenar energia, regular a temperatura, monitorizar a saúde e mudar de cor.

A iniciativa é apoiada por um investimento 15 milhões de dólares (aproximadamente 13,8 milhões de euros) do Departamento de Defesa e liderada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), juntamente com 32 universidades. Os membros da AFFOA terão também acesso exclusivo a uma unidade de prototipagem que será inaugurada no primeiro trimestre de 2017.

Cadeia de aprovisionamento

De qualquer forma, Barry McGeough espera assistir a «muito mais parcerias entre empresas de vestuário e empresas de tecnologia» e implicações de grande escala para a cadeia de aprovisionamento de vestuário conectado.

O responsável pelo Innovation Next da PVH revela que «do ponto de vista da cadeia de aprovisionamento, há muitas cadeias que são dedicadas à tecnologia, mas do ponto de vista do vestuário há mais complexidades porque a indústria não está preparada para esse modelo de negócios; não está habituada a investimentos avultados no desenvolvimento: esta é uma revolução para nós».

«Quando desenvolvemos um espaço tecnológico, o cliente enfrenta todo o custo, estamos habituados a amortizar esse custo de diferentes formas. Nós não estamos habituados com os lead times da tecnologia e os lead times da validação, por isso, vamos ter lead times mais longos», afirma McGeough sublinhando que, neste caminho da inovação, a indústria do vestuário vai ter novos parceiros e desafios e olhar para a produtividade de um prisma diferente.