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Qual é o futuro do shop-in-shop?

Os vendedores chegaram à conclusão que muitas pessoas entram na loja e acabam por não comprar uma peça de roupa por várias razões completamente diferentes e não só o preço ou a marca. Para além dos preços, o mau atendimento é uma das razões mais fortes que pode levar o cliente a desistir de uma compra. O serviço neste contexto refere-se por um lado, à disponibilidade da mercadoria, por outro lado, ao pessoal. Em 40% dos casos, falhas nas colecções (o artigo, tamanho ou a cor não estão disponíveis) e em 20% um atendimento pessoal mau ou insuficiente (“não encontrei ninguém que me pudesse ajudar”, “os empregados foram antipáticos”, filas nas caixas, etc.) são as razões por que os clientes não compram. Por isso, o produtor tem de mostrar ao comerciante como fazer melhor. É sabido que a disponibilidade da mercadoria se gere melhor quando toda a linha de fornecimento fica nas mãos dos produtores, como as empresas verticais mostram. Hoje em dia os produtores fazem parte de uma rede de comunicações que tem um único objectivo: satisfazer o cliente, e estes sabem que para que isto aconteça é necessário cumprir prazos. Um serviço bom e empregados adequados para cada marca podem ser conseguidos através de um recrutamento feito directamente pelo produtor da marca. Assim este pode garantir que as condições na shop-in-shop são óptimas e que os clientes estão satisfeitos, o que é o objectivo central do sistema shop-in-shop. Mas, se é assim que funcionam, como podem inúmeros shop-in-shops pareçerem deslocados e vazios e que nem a mercadoria nem os empregados fornecem o que a teoria do shop-in-shops promete? Podemos perguntar-nos se muitas vezes não é somente o facto de querer comprar roupa de marca que justifica o conceito shop-in-shops. Mas, a verdade é que este conceito existe porque só desta forma, marcas de lifestyle e empresas como a Polo Ralph Lauren puderam obter um enorme sucesso. Mas, muitas vezes, os produtores ignoram o facto de que ter um bom produto não inclui necessariamente ter uma marca de lifestyle. Um ambiente moderno e chique não chega para transformar uma camisola num produto de lifestyle. Esta é a razão por que muitos conceitos de shop-in-shops não são tão eficazes como secções de venda tradicional. Raramente estes sistemas servem verdadeiramente para satisfazer os desejos dos clientes. Será que depois do falhanço do B2C, vamos assistir também ao falhanço do shop-in-shop? Adivinha-se que o futuro será cada vez menos virado para o conceito , mas as poucas marcas que optarem por manter o conceito de shop-in-shop vão funcionar bem. Mas, este facto não significa que o comércio tem de voltar para as secções de vendas tradicionais com o seu aspecto cansado. Certas categorias de produtos como roupa, meias, camisas, malhas ou calças de ganga, estão predestinados para um conceito que o comércio alimentar já aplica há anos. Category Management é um conceito de cooperação entre o comércio e os produtores com o fim de separar a mercadoria de acordo com as necessidades dos clientes e não, como tradicionalmente, através de aspectos comuns da mercadoria, como por exemplo, o sítio de uso, etc.. É baseado numa concepção comum, orientada pelo consumo dos clientes e as necessidades próprias de cada sítio de vendas. O objectivo é desenvolver uma estrutura com várias categorias de produtos bem definidas no seu volume e variedade, preços e apresentação. O Category Management não representa simplesmente um novo nome para uma velha estratégia de planeamento das colecções e módulos, é também um conceito comum entre retalhista e produtor e não está restrito só ao comércio, como antigamente. Vendedores e produtores têm de planear as colecções juntos, têm de desenvolver o produto em conjunto, têm de preparar a promoção e a apresentação da mercadoria nas lojas em comum e têm de trocar todos os dados sobre o planeamento e as transacções. O Category Management só faz sentido para as empresas que estão dispostas a manter esta forma de relação e, ao mesmo tempo, podem fornecer as estruturas para realizá-la. Se as duas partes estão dispostas a uma colaboração aberta e próxima, podem ter o mesmo grau de sucesso que as empresas verticais.