Início Notícias Tecnologia

Qual é o impacto do digital no comércio?

As tecnologias digitais, como a internet das coisas, a inteligência artificial, a impressão em 3D e a blockchain, poderão vir ter um impacto profundo nas trocas comerciais mundiais, diminuindo os custos e aumentando a produtividade, mas também criando novos desafios, alerta a World Trade Organization.

De acordo com o World Trade Report, de 2018, as tecnologias digitais poderão reduzir os custos das trocas comerciais e impulsionar o comércio, especialmente nos serviços e nos países em desenvolvimento.

Prevê-se que o comércio global cresça anualmente cerca de 2 pontos percentuais entre 2016 e 2030, como resultado da digitalização, da diminuição dos custos das trocas comerciais e do aumento na utilização de serviços. Isto corresponde a um aumento entre 31 a 34 pontos percentuais ao longo de 15 anos. Em particular, micro, pequenas e médias empresas de países em desenvolvimento poderão beneficiar da redução dos custos nas trocas comerciais, dado que conseguem manter-se atualizadas na adoção de novas tecnologias.

Projetando o melhor cenário possível, a quota dos países em desenvolvimento e menos desenvolvidas nos mercados globais poderá crescer até aos 57% até 2030, comparativamente aos 46% em 2015, revela o relatório da World Trade Organization (WTO). Sublinha-se que, se esses países não conseguirem chegar a esse nível, a sua participação poderá crescer até aos 51%.

A era digital

Ao reduzir os custos das trocas comerciais, certas aplicações de inteligência artificial poderão beneficiar as vendas de bens, por exemplo, ao otimizar o planeamento da rota do produto e permitir a condução autónoma. Através do acompanhamento do transporte e da mercadoria, usando robots inteligentes para otimizar o armazém e o inventário e integrando a impressão em 3D, reduzem-se os custos de logística.

Por sua vez, as soluções em blockchain podem reduzir o tempo gasto em logística e no cumprimento alfandegário, enquanto que a internet das coisas pode ajudar a melhorar a eficiência operacional através da manutenção preventiva da maquinaria e dos produtos.

As novas tecnologias podem, deste modo, reduzir gastos nas trocas comerciais e armazenamento, mas também podem minorar o tempo para o transporte, assim como a incerteza dos tempos de entrega. Estas despesas representam uma grande percentagem dos custos gerais das trocas comerciais e por isso, a redução pode ter um grande impacto nos fluxos do comércio, refere o relatório. O documento, no entanto, lembra que embora as novas tecnologias possam mudar o modus operandi no comércio mundial, as vantagens serão distintas nas diferentes economias.

Inteligência artificial, impressão em 3D e robótica avançada poderão reduzir o papel da mão de obra, como ponto de comparação, enquanto fatores como a qualidade da infraestrutura digital, a dimensão do mercado, questões institucionais e regulamentares, como a proteção da propriedade intelectual, poderão tornar-se mais relevantes na vantagem comparativa. Além disso, a impressão em 3D poderá, a um determinado momento, reduzir a necessidade de fabrico terceirizado, diminuir o número de etapas na produção e outros fatores relacionados com as cadeias de valor globais.

Desafios a superar

O relatório também detalha os desafios relacionados com a internet das coisas. «O desenvolvimento de equipamentos ligados à internet – muitos dos quais foram desenhados sem atenção à segurança – poderão representar vulnerabilidades perigosas. Ligar um grande número de novos equipamentos à internet poderá criar obstáculos perigosos nos serviços de telecomunicação», pode ler-se no documento.

A inteligência artificial, no entanto, alcançou vários marcos importantes, mas ainda há numerosos desafios técnicos pela frente, incluindo certas tarefas cognitivas que, frequentemente, as pessoas realizam sem pensar, como perceber ou navegar no seu próprio ambiente físico.

Atualmente, o principal problema com o blockchain está na sua capacidade em se expandir, que ainda é limitada. O estudo da WTO explica que as atuais redes e plataformas de blockchain não “comunicam” umas com outras e que existe um grande número de problemas legais por resolver, que vão desde a legalidade das transações em blockchain até à questão da responsabilidade. «A expansão das trocas comerciais digitais tem um grande potencial de gerar benefícios consideráveis, particularmente se ocorrem de acordo com as condições adequadas a responder a desafios regulamentares públicos», destaca o documento. Problemas que incluem «a inclusão, proteção da privacidade e a segurança na internet poderão apresentar-se em debates sobre o futuro da gestão das trocas comerciais globais. A cooperação internacional tem um papel importante a desempenhar na ajuda a prestar aos governos, de modo a que garantam que as trocas digitais continuam a ser motor de um desenvolvimento económico inclusivo», aponta.