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Qual o futuro do retalho na China? – Parte 2

A abertura do primeiro espaço comercial da Marks & Spencer na China continental (ver Qual o futuro do retalho na China? – Parte 1) vem reforçar o interesse das grandes cadeias internacionais de retalho neste mercado. No âmbito da sua expansão em território chinês, a localização da Marks & Spencer na Nanjing Road West, principal rua comercial de Xangai é, à partida, um elemento fundamental para o seu sucesso. As rendas para localizações privilegiadas em Xangai ou Pequim são comparÁveis às das principais cidades no Ocidente e estes locais são brutalmente duros» de conseguir. é tão difícil como conseguir uma localização em Manhattan com a economia em crescimento», refere Mikkelborg, acrescentando, contudo, que a localização de uma loja é importante para a construção da mensagem da marca. No entanto, em termos de vendas, as grandes oportunidades encontram-se em cidades de segundo plano. Os consumidores ganham menos nessas cidades do que em Pequim ou Xangai, mas, nestes casos, os rendimentos estão a crescer mais rapidamente. A Zara jÁ identificou esta tendência e abriu novas lojas apenas em Tianjin e Harbin, com planos para novas aberturas em Shenzhen e Dalian até ao final do ano. Todas estas cidades são portuÁrias e apresentam economias florescentes. A Marks & Spencer deverÁ registar uma expansão mais lenta na China. No ano passado, o presidente executivo Stuart Rose disse que a empresa estava a ter uma visão de longo prazo sobre o mercado, expandindo local a local», de forma a gerir os riscos. Estes riscos têm decididamente aumentado recentemente. Apesar das sugestões no ano passado de que a economia da China estaria dissociada do Ocidente durante um abrandamento, parece agora claro que os consumidores chineses serão significativamente afectados. O crescimento do rendimento estÁ a abrandar devido à debilidade das exportações e ao potencialmente mais baixo nível de emprego», explica Ken Peng, vice-presidente de anÁlise económica e de mercado no Citibank. Li Xin do Citic Securities concorda: é verdade que quer as marcas estrangeiras quer as marcas nacionais de vestuÁrio estão a crescer este ano. Isto reflecte a situação dos rendimentos do ano passado. Mas prevemos que irÁ baixar no próximo ano”. Mesmo aqueles que não forem afectados pela queda nas exportações, serão provavelmente mais cautelosos nos gastos, após um ano em que a inflação atingiu o valor mÁximo dos últimos 11 anos, registando uma taxa de 8,7%. Embora a inflação tenha caído drasticamente ao longo do corrente ano, existem sinais de que os consumidores se estão a tornar mais sensíveis aos preços. Um estudo da McKinsey apresentado este mês, sugere que os compradores chineses estão mais conscientes do valor do que no ano passado. Mesmo assim, se os retalhistas estrangeiros conseguirem eliminar estes riscos de curto prazo, existe uma abundância de oportunidades de crescimento a longo prazo. O consumo privado é agora apenas cerca de um terço da economia», explicou Peng do Citibank. A crescente urbanização vai impulsionar esta proporção, enquanto que o aumento nos custos do trabalho e a melhoria da segurança social devem também dar mais confiança aos consumidores para gastar, em vez de pouparem», acrescenta. A maioria do crescimento na China serÁ impulsionada por investimentos para os próximos anos, mas depois o desenvolvimento do mercado consumidor vai entrar numa nova fase e tornar-se muito atractivo para além de 2010», vaticina Peng.