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Quando a moda é aumentada

A realidade virtual e aumentada há muito superou o universo dos jogos de adolescentes e geeks. É uma tendência que deverá crescer a uma velocidade avassaladora e dominar o quotidiano dos consumidores – de moda, por exemplo.

Das agendas aos calendários, dos despertadores às câmaras – muitos objetos outrora imprescindíveis foram praticamente absorvidos com entrada do digital. Poderão os guarda-roupas estar prestes a tomar o mesmo rumo?

Nas últimas temporadas foi inclusivamente sugerido que a tecnologia pode avançar tão rapidamente que os amantes de moda vão acabar por alugar vestuário e joalharia virtuais para os seus mundos de realidade aumentada.

«Estas coisas que considerávamos essenciais materialmente, desapareceram no ambiente virtual», afirmou recentemente Jody Medich, diretora de design da Singularity University, numa entrevista à Wired Retail. «Todas foram transferidas para os ecrãs, mas, no futuro, vamos estar a olhar através desses ecrãs», acrescentou.

Medich acredita que a realidade aumentada estará omnipresente dentro de cinco anos através dos smartphones, fones ou lentes de realidade virtual (RV), e por mais apressadas que estas declarações possam parecer, são mais realistas do que se imagina.

Já em 2014, a RV começava a levantar grandes ondas no mundo da moda quando a semana de moda de Londres ofereceu aos utilizadores uma visão 360 graus da primeira fila da passerelle. Mais recentemente, o desfile outono-inverno 2016/2017 da casa Balenciaga introduziu a realidade virtual, enquanto Hussein Chalayan lançou um vídeo panorâmico da sua mostra. A Dior foi ainda mais longe, apresentando um conjunto de RV.

«Esta tecnologia estará omnipresente – e não afetará apenas pequenos aspetos do nosso quotidiano, vai afetar todos os aspetos das nossas vidas. Todas as atividades que fazemos vão mudar radicalmente», afirmou Medich. «Em vez de olharmos para um ecrã, vamos olhar através dele. Quando fizermos isso, coisas mágicas acontecerão», explicou.

Os consumidores valorizam a conveniência das compras online, mas é difícil saber exatamente o que vão receber em casa ou como a peça vai ficar depois de vestida. De acordo com os analistas, a realidade aumentada pode ter a solução para este tipo de situações.

Pelo menos Medich pensa assim, apontando como exemplo a Wayfair. Esta retalhista de mobiliário usou a tecnologia Tango da Google para construir uma aplicação que pode medir o ambiente envolvente dos utilizadores. «A tecnologia Tango analisa as dimensões do espaço, pode ver a decoração e, depois, sugerir que tipo de mesa o cliente vai querer. Por fim, pode colocá-la lá e deixar ver como fica no espaço», referiu.

Imaginem-se estas valências no mundo do retalho virtual, onde o consumidor pode contactar com produtos específicos para o seu estilo pessoal ou no qual o seu quarto se transforma num provador e apresenta coordenados com base exatamente no que está no guarda-roupa do utilizador.

Porquê parar por aí? Por que motivo não começar a introduzir stylists pessoais de inteligência artificial ou a capacidade de alugar roupas e joalharia de alta qualidade que só podem ser vistas através de lentes de realidade aumentada?

Se Merdich estiver certa, a moda de luxo poderá em breve estar disponível a todos os consumidores. Como e em que medida o meio terá impacto na indústria da moda ainda está para ser determinado, mas há já infinitas possibilidades.