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Quando o vestuário inteligente “ditar” a moda…

O castanho é o novo cinzento que foi o novo preto. Odenim estáout; não, odenim estain… Prever a natureza volúvel da moda é difícil e largamente baseado nos caprichos dosdesigners da alta-costura de Paris ou das influências de filmes ou musicas populares.

 

Enquanto os desenhos virão e irão, os grandes avanços serão definitivamente efectuados ao nível do tecido. Marcy Koontz, professora na University of Alabama College of Human Environmental Sciences, prevê um futuro de “roupas espertas”. «Os novos tecidos tomarão a dianteira, e o potencial decorativo e funcional dos revolucionários materiais vai seduzir completamente osdesigners de moda. Tecidos de moda com propriedades anti-transpiração e que libertam aromas tornar-se-ão correntes», sustenta.

 

Há já alguns anos que o desenho do vestuário tem andado à volta da funcionalidade: camisolas livres de rugas que, por consequência, não necessitam de passagem a ferro ou tecidos revestidos de Teflon que resistem a nódoas de gordura.

 

Os cientistas, não conhecidos certamente pelo seu apurado sentido estético, poderão todavia ser os “ditadores” das tendências de moda de amanhã. Bem na primeira linha da indústria têxtil está a ser desenvolvido vestuário inteligente que vai revolucionar a nossa ideia de roupa.

 

O vestuário inteligente, oui-wear, pode não parecer radicalmente diferente mas incorpora um conjunto de fios condutores aos fios têxteis que o tornam sensorial e gerador de informação útil para quem o usa.

 

A empresa inglesa Electrotextiles está por detrás do desenvolvimento de uma gama de vestuário inteligente baptizada Electex, que inclui um teclado de tecido macio costurado num par de calças. Umas calças que podem ser lavadas e até passadas a ferro. A empresa está ainda a desenvolver uma gravata que actua como um rato de computador.

 

Uma das primeiras aplicações do inovador tecido Electex foi um assento ergonómico desenvolvido para o automóvel-conceito Kion, apresentado no Paris Motor Show 2000. O tecido “sensoriza” os movimentos dos ocupantes do veículo ao nível das pernas e das costas e comunica com os motores do assento para que este se ajuste na posição de conforto óptimo.

 

Esta tecnologia tem potencial para ter um grande impacto na nossa vida quotidiana, desde o trabalho até aos tempos livres, passando pela nossa saúde. No trabalho, podem-se integrar auscultadores nas lapelas dos blusões para gravar os compromissos profissionais. O vestuário hospitalar e desportivo pode medir um aumento ou descida da temperatura do corpo mediante a integração de uma bateria. Além disso, pode avaliar a saúde do utilizador monitorizando o batimento cardíaco e ao menor sinal de perigo transmitir a informação ao hospital mais próximo.

 

No entanto, estes desenvolvimentos são apenas uma parte do esquema global de criar vestuário tão eficiente e funcional quanto possível.

 

O negócio das encomendas ainda não disparou como poderia pelo simples facto de que os consumidores não podem experimentar a roupa antes de comprá-la. Mas até este inconveniente está a ser ultrapassado graças ao Sistema de Medição 3D, que permite registar as medidas exactas. Os consumidores podem, então, visualizar uma selecção de peças de vestuário na Internet e experimentá-las de forma virtual.

E quanto ao problema de escolher o que vestir? Também já há solução, pois os investigadores estão a desenvolver um guarda-roupaon-line que lhe sugere qual o vestuário mais apropriado de acordo com as condições climatéricas ou o seu horário. Num futuro de roupa inteligente nada mais seria de esperar do que um guarda-roupa inteligente!