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Quão sustentáveis são as produtoras de viscose?

Quase um terço da viscose da cadeia mundial de aprovisionamento possui «risco reduzido» de advir de florestas antigas e em risco, segundo a Canopy. A iniciativa CanopyStyle incentiva as empresas e as marcas a eliminar fibras de alto risco do vestuário de viscose e modal.

O ranking Hot Button, de 2018, lançando pela Canopy, uma associação canadiana sem fins lucrativos, é um sistema que tem como base o mérito, medindo através de “botões” a performance de 31 dos maiores produtores de viscose no mundo. A classificação, divulgada pelo Sourcing Journal, tem como base uma série de critérios, nomeadamente a realização de auditorias a terceiros (que valem dois botões), a adoção de políticas responsáveis na obtenção de matérias-primas da floresta (a valer dois botões), o investimento em I&D de fibras alternativas (valendo um botão) e a transparência em termos de fornecedores (que vale igualmente um botão).

A posição das produtoras

Numa pontuação máxima de 35, a Lenzing obteve 23 botões, seguida da Birla Cellulose, que conquistou 22,5 e da Enka, que conseguiu 20 botões. As três produtoras de fibras celulósicas – que, em conjunto, representam 28% da cadeia de aprovisionamento mundial – foram premiadas com o símbolo de uma t-shirt verde clara que, apesar de próxima, está longe do ícone da t-shirt verde escura, que assinala a melhor performance possível.

A Tangshan Sanyou, membro do Collaboration for Sustainable Development of Viscose (CV) – um projeto chinês autorregulado que a Changing Markets Foundation acusou de falta de «ambição e transparência» – melhorou do símbolo da t-shirt amarela, em 2017, para uma t-shirt amarela e verde «que revela um progresso contínuo», refere a Canopy.

A Zhejiang Fulida e a Xinxiang Bailu Chemical Fiber Co., que também são membros da CV, receberam uma t-shirt vermelha e amarela, o que reflete uma pontuação entre cinco a nove botões. O mesmo repetiu-se com a Sateri, que obteve 10 botões, o que tecnicamente lhe daria direito a uma t-shirt amarela, mas acabou por ser despromovida devido a «confirmados altos riscos e fornecedores de fibras controversas», aponta o relatório.

A Aoyang Technology, a Shandong Yamei e a Jiangsu Xiangsheng Viscose Fiber Co. receberam t-shirts vermelhas, o que significa que registaram uma pontuação entre zero a quatro botões e «não foram de encontro aos requisitos mínimos necessários», afirma a Canopy.

A Asia Pacific Rayon foi a única produtora que recebeu uma t-shirt branca e vermelha, que, para a Canopy, significa que se trata de uma empresa que extrai a matéria-prima de florestas antigas e em risco.

Pela positiva, a Canopy destaca a Yibin Grace, a quinta maior produtora mundial em termos de volume, por se envolver proactivamente com a auditoria CanopyStyçe. Esta empresa, em conjunto com a Eastman Chemical Co., recebeu uma t-shirt com arco-íris, o que representa que ambas são «as mais recentemente envolvidas e ativas», indica o relatório.

«Produtoras já não podem ignorar o seu impacto florestal»

Mais de 160 marcas, designers e retalhistas parceiras da CanopyStyle e «numerosos agentes» da indústria do vestuário confiam na análise anual feita pela associação acerca dos produtores de viscose para tomarem decisões responsáveis em termos de aprovisionamento, envolverem-se com os seus fornecedores e cumprirem os objetivos em matéria de sustentabilidade, assegura a Canopy.

«Com as marcas e retalhistas a terem orientações para a escolha apenas no fornecimento das produtoras com t-shirts verdes a partir de 2020, as produtoras já não podem ignorar o seu impacto florestal», admite Nicole Rycroft, fundadora e CEO da Canopy. «É um sinal claro de que o aprovisionamento sustentável é muito importante e que as soluções das novas gerações para a indústria têxtil estão a conquistar caminho», reconhece.

Entre 70 e 100 milhões de árvores são utilizadas, anualmente, para produzir celulose para viscose, modal e outras fibras, revela a Canopy. Com a estimativa de que a procura por celulose irá aumentar 122% nos próximos 40 anos, a indústria têxtil representa um risco crescente para ecossistemas em perigo. «Estimular uma adoção rápida e abrangente destas novas tecnologias e da inovação disruptiva é uma prioridade para a Canopy e estará presente no nosso trabalho, com as produtoras e as marcas de moda, ao longo dos próximos anos», garante Nicole Rycroft.

Parte do trabalho da associação passa também por identificar os locais mais problemáticos em termos daprovisionamento. Neste âmbito, a Canopy lançou a ForestMapper, uma ferramenta online gratuita que ajuda as produtoras a identificar e a evitar florestas antigas e em risco por todo o mundo.