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Que hipóteses de futuro tem a indústria têxtil?

Estas foram as questões centrais do Fórum Tendências Têxteis promovido pelo Institute for International Research (IIR – Instituto de Pesquisa Internacional (Alemanha)), em Berlim. Durante dois dias, 150 peritos em têxteis, alemães e de outras nacionalidades, conversaram sobre as hipóteses e desafios futuros. Para Roshan Shishoo, do mesmo instituto, mas na Suécia, «a indústria têxtil vai tornar a florescer nos próximos anos com base na crescente procura de têxteis técnicos e funcionais». Os utilizadores procuram cada vez mais vestuário com propriedades adicionais. Nesta perspectiva, casacos e calças não devem apenas ser impermeáveis e respiráveis, mas também ter propriedades anti-bacterianas, anti-estáticas e de alongamento, nomeando apenas algumas das funcionalidades possíveis. Através das novas tecnologias, que trabalham com partículas nano-, micro- e plasma, estes requisitos podem actualmente ser cumpridos de forma mais eficaz. Contudo, para fazer face à concorrência internacional, dominada pelos asiáticos, os produtores europeus têm de investir mais do que têm feito até ao momento em processos de produção mais flexíveis, no know-how técnico e em produtos de valor acrescentado. Visão futura A procura mundial de fibras situa-se, de acordo com os dados disponíveis, em cerca de 50 milhões de toneladas. Somente as tecelagens utilizam anualmente 28 milhões de toneladas de fibras. Até 2010, segundoas previsõesde Sishoo, a procura por parte das tecelagens deveráatingir os35 milhões de toneladas e a Ásia será o principal comprador. «Os produtores europeus vão ter de adaptar-se ànova realidadecaso queiram sobreviver», afirma o professor Marc van Parys, da Universidade de Gent. Actualmente 70 por cento do calçado, 50 por cento do vestuário e 40 por cento das meias são produzidos na China. Esta tendência não vai nem inverter-se nem parar. Para poder “marcas alguns pontos”, os produtores têxteis europeus têm obrigatoriamente de ser mais rápidos, oferecer melhor qualidade e reduzir os seus custos de produção. «Já não conseguimos frutos com as ofertas tradicionais, é por esta razão que necessitamos de novos produtos e de novas tecnologias», afirma van Parys. Não se trata de reinventar a roda, mas há muitas tecnologias utilizadas noutros sectores que podemagoraser aplicadas àindústria têxtil,intensificando a suacooperação com esses outros sectores. O vestuário electrónico constitui um exemplo concreto. Markus Strecker, da filial alemã da Interactive, explica que as áreas da segurança, saúde e desporto são as três principais áreas de acção. Um casaco pode ter um MP3 integrado apenas para diversão, mas no caso do vestuário de protecção um microfone integrado no colarinho e displays flexíveis nas mangas do casaco podem aumentar a segurança do seu utilizador. «O maior problema são os custos. Dispomos dos materiais e das tecnologias, mas as quantidades ainda são reduzidas». Será que os consumidores estão prontos a pagar mais por vestuário de protecção, ou outro tipo de vestuário com características específicas, quando comparam o seu preço com o do vestuário tradicional? Na opinião de Strecker, «trata-se de um ciclo vicioso, uma vez que se a procura aumentasse os preçospassariam automaticamente a sermais baixos ». Apesar de não perceptível à vista desarmada, a nanotecnologia é uma das tecnologiasmais utilizadas na indústria têxtil. As propriedades derepelência deágua e sujidade, conseguidas através da introdução de nanopartículas nas fibras ou nos acabamentos, tornam clara a mais valia do produto para o utilizador. Contudo, a utilização da nanotecnlogia no vestuário “sofre” da mesma situação dos artigos que recorrem às microcápsulas e às partículas plasma: os benefícios do artigo têm de ser explicados. A etiqueta disponível nos artigos muitas vezes não é lida ou, quando o é, não é compreendida pelo leitor. Previsão «Quando o vestuário funcional certo for apresentado ao consumidor, o preço deixará de ser relevante para o comprador», afirma Sabine Anton-Katzenbach, especialista em consultoria na área dos têxteis técnicos. De acordo com um estudo da empresa de consultoria BBE, o volume de mercado para têxteis funcionais na Alemanha, entre 2001 e 2005, aumentou 14 por cento. O limite está ainda muito longe. Os utilizadores estão prontos a pagar mais por mais qualidade. «O aumento do preço deve estar relacionado com propriedades adicionais», afirma Sabine Anton-Katzenbach. O produto deve também apelar às emoções e sentimentos do consumidor, não descurando o estilo. A Puma e a Adidas conseguiram com sucesso transferir as funcionalidades do vestuário desportivo para o vestuário quotidiano. Para queo sector possa no futuro usufruir das propriedades adicionais do vestuário é necessário, na opinião de Roshan Shishoo, um diálogo próximo e intensivo com todos os elos da indústria têxtil e uma estratégia que abranja todo o sector.