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Quebra no investimento estrangeiro

Segundo o Jornal de Notícias e de acordo com informações do Banco de Portugal, o investimento líquido de Portugal no exterior teve uma queda homóloga de 129 por cento nos primeiros 11 meses de 2002, passando de 8,2 mil milhões de euros em 2001 para 3,6 mil milhões em 2002. Esta realidade será abordada pelos participantes na 5ª Conferência do Fundo para a Internacionalização das Empresas Portuguesas (FIEP), subordinada ao tema “Internacionalização: E Portugal?” que se vai realizar amanhã, no Auditório da Fundação de Serralves, no Porto. Especialistas espanhóis, irlandeses e finlandeses irão abordar os modelos de cada um destes países. Fernando Freire de Sousa, presidente do Conselho de Administração, explica que o FIEP, fundado em 1997, intervém através de propostas de co-investimento de dimensão internacional, centrando a sua actividade no desenvolvimento das médias empresas. A contrastar com o balanço do Banco de Portugal, o FIEP investiu 23,3 milhões de euros em 2002, tendo sido este um dos melhores anos desde 1998. Uma das maiores quebras do investimento português foi em Espanha (-94%). No entanto, com 1,7 mil milhões de euros investidos no país vizinho, o nosso parceiro ibérico representa mais de metade de todo o investimento português no estrangeiro. Freire de Sousa explica a quebra do investimento em 129 por cento com a crise internacional. O presidente do FIEP referiu ao JN que «os agentes económicos ficam mais cautelosos. Esta quebra é parcialmente estrutural, porque o enfoque dado agora à captação de investimento directo estrangeiro determinará que o investimento lá fora seja menos acarinhado.» Quanto ao investimento interno, e segundo o inquérito feito a cerca de quatro mil empresas pelo INE, prevê-se que tenha caído 18,5 por cento em 2002, podendo voltar a descer 0,9 por cento em 2003. O inquérito realizado no último trimestre de 2002 revela que o número de empresas a investir está a diminuir, passando de 84,3 por cento em 2001 para três quartos no ano passado e com menos de dois terços das empresas a prever investir durante este ano de 2003. Segundo o JN, o investimento no têxtil e vestuário desceu 48 por cento em 2002.