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Quem quer ser milionário?

Na sequência da aquisição de um concorrente britânico, a start-up tecnológica norte-americana Teespring, que pretende democratizar o design de vestuário, aventura-se em solo europeu. À sua passagem vai criando milionários e ampliando a área de intervenção.

A Teespring, uma start-up baseada na cidade californiana de São Francisco, permite que os clientes criem t-shirts com designs personalizados, vendendo-as, de seguida, através do seu canal online, que permite eliminar as limitações induzidas pela acumulação de inventário. O incentivo ao empreendedorismo é o lema da empresa. «O nosso objetivo é capacitar qualquer pessoa que tenha uma boa ideia», explica o cofundador e CEO da Teespring, Walker Williams.

Através da empresa, os clientes podem desenhar uma camisola ou t-shirt, definir um preço (desde que seja superior ao custo de produção e transporte), e recolher os dividendos das vendas. É um negócio altamente competitivo, que se depara com diferentes desafios.

A Customink, por exemplo, permite que os clientes encomendem vestuário personalizado. A Zazzle possibilita que os clientes disponibilizem designs online, recebendo uma comissão quando estes são adquiridos através do seu site. Paralelamente, a Threadless tem como objetivo ajudar ao financiamento dos artistas, imprimindo os designs mais votados pelos clientes.

A Teespring pretende expandir-se agora para o exterior. Em janeiro, adquiriu a Fabrily, uma start-up britânica, com um modelo de negócio muito semelhante ao seu e, segundo Williams, uma cultura e objetivos quase idênticos.

A Fabrily é, atualmente, o ramo europeu da Teespring, sendo responsável pela prestação de serviços em outros idiomas que não o Inglês e tratamento de encomendas de artigos concebidos por e para clientes europeus. Possui simultaneamente instalações no Reino Unido e na Europa de Leste.

Procurando convencer o público sobre a validade do seu argumento, a Teespring divulgou que, no ano passado, 20 pessoas receberam mais de 1 milhão de dólares em vendas através do seu site, enquanto centenas de outros utilizadores ganharam pelo menos 100.000 dólares.

Até à data, a empresa refere já ter pago um total de 140 milhões de dólares aos seus utilizadores, uma vez cobertos os seus próprios custos de produção e de transporte, a maior parte nos últimos 18 meses. Até agora, já vendeu mais de 15 milhões de t-shirts, camisolas e hoodies. Em comparação, a concorrente Zazzle pagou apenas 50 milhões de dólares aos seus criadores.

Além do mais, a Teespring afirma ser uma melhor fonte de vendas face aos criadores presentes em plataformas de comércio eletrónico de renome, como a Etsy e o eBay. A empresa revela que, em média, os seus criadores auferem 3.700 dólares por ano. Em comparação, os vendedores presentes na plataforma Etsy auferem 3.000 dólares e os vendedores presentes no eBay somam 1.400 dólares anuais, aponta Mary Meeker, sócia da firma de capital de risco Kleiner Perkins.

O desafio da Teespring será agora manter a sua força enquanto empresa internacional. No ano passado, as vendas da Fabrily cresceram 20 vezes, indicou Williams, superando as da sua própria empresa-mãe.

Porém, ambos os ramos não estão ainda a operar como plataformas de «comércio eletrónico sem fronteiras», como denomina Williams. Isto significa que, se alguém concebe uma t-shirt destinada ao mercado americano, as operações domésticas da Teespring irão lidar com a encomenda e respetiva produção, mesmo que algumas encomendas sejam provenientes do exterior. Williams pretende que as operações da sua empresa se tornem mais flexíveis, de modo que cada encomenda seja operada pela unidade mais próxima do seu destinatário, independentemente da proveniência do design.

Uma eventual expansão rumo ao continente asiático e outras partes do mundo está incluída nos planos futuros da empresa, revela Williams. No entanto, essa expansão não decorrerá de outra aquisição, à semelhança da estratégia adotada pela Teespring para o mercado europeu.