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Quem veste os Óscares?

Hotel Budapeste pelas mãos da italiana Milena Canonero Italiana, nascida em Turim em 1946, Milena Canonero mudou-se para Londres na década de 60 onde conheceu Stanley Kubrick. Foi com ele que, em 1971, se estreou na criação de figurinos cinematográficos em Laranja Mecânica. Sob a égide do realizador arrecadou, em 1975, o primeiro Óscar de Melhor Guarda Roupa com Barry Lindon e, provando que não se tratava de sorte de principiante, voltou a ganhá-lo mais duas vezes, em 1981 com Momentos de Glória, de Hugh Hudson e, em 2006, com Marie Antoinette de Sofia Coppola. A esses prémios somaram-se inúmeras nomeações, figurando entre os cinco escolhidos para a corrida ao Óscar de 2015. Hotel Budapeste de Wes Andreson transporta-nos para o período entre guerras, num país inventado, algures no leste europeu. A paleta de cores vibrante e o jogo de padrões domina o guarda-roupa. Para a produção de peças particulares contou com a colaboração de marcas como Prada e Fendi, presenças assíduas dos seus intentos no universo cinematográfico. Os personagens usam as mesmas peças ao longo de toda a ação, quase como uma extensão delas próprias e a mudança de figurino surge sempre associada a uma transformação do próprio personagem. Mark Bridges em Vício Intrínseco Mark Bridges, americano de idade incerta, iniciou a sua carreira de figurinista em 1990, com uma breve participação na série de comédia para adultos Sonhar Acordado. Ganhou o primeiro Óscar em 2011 com o também vencedor O Artista, que fez regressar ao grande ecrã o encanto do preto e branco e a estética dos clássicos da era dourada de Hollywood. O design de figurinos americano reocupou este ano o lugar entre os nomeados para o Óscar de Melhor Guarda Roupa com Vício Intrínseco de Paul Thomas Anderson, imbuído da atmosfera hippie de Los Angeles da década de 70. Os tecidos brilhantes, a sobreposição de padrões, os veludos, em cortes típicos do período ocupam o ecrã, sem nunca se sobreporem aos momentos do filme. Mark Bridges é hoje o preferido do realizador Paul Thomas Anderson, ao lado de quem trabalhou em Passado Sangrento, Magnólia e Haverá Sangue. A sua mais recente proposta, que instiga já viva curiosidade, é o filme Cinquenta Sombras de Grey. Colleen Atwood segue Caminhos da Floresta Três prémios da Academia e, este ano, a décima primeira nomeação. Colleen Atwood estreou-se na indústria na década de 80, sendo desde então uma prolífera criadora, que assistiu em 2014 ao lançamento simultâneo de dois dos seus projetos, Olhos grandes de Tim Burton e Os Caminhos da Floresta de Rob Marshall. Foi precisamente ao lado destes realizadores que arrecadou os Óscares, em 2002 com Chicago, em 2005 com Memórias de Uma Gueixa e em 2010 com Alice no País das Maravilhas. A preocupação de Atwood é servir a história. A narrativa deve marcar o ritmo do guarda-roupa. Em Caminhos da Floresta, que a lança de novo na corrida aos Óscares, os figurinos fluem ao compasso da música. Nesta readaptação moderna dos contos dos irmãos Grimm, a principal inspiração veio do ambiente da floresta e vários dos seus elementos naturais são transpostos para as criações. Os jogos de luz e camadas criam textura e fazem sobressair as peças, compensando o ambiente lúgubre do filme. No seu regresso ao imaginário Disney, o guarda-roupa transparece uma plasticidade fantasiosa, digna de um conto de fadas, potenciada em larga escala pelo efeito do formato digital. Maléfica transformada por Anna B. Sheppard Anna B. Sheppard é uma arquiteta de formação. Iniciou a sua carreira como figurinista em 1971, ainda na sua Polónia natal, tendo desde então colaborado em dezenas de filmes, três dos quais lhe granjearam nomeações para os Óscares. A primeira, em 1993, com A Lista de Schindler de Spielberg, 10 anos depois a segunda nomeação, ao lado de Polanski em O Pianista e, este ano, em Maléfica, uma produção da Disney orientada por Robert Stromberg. Esta é uma adaptação do filme de animação A Bela Adormecida, clássico conto de fadas agora transposto para o grande ecrã por pessoas de carne e osso. Os figurinos criados procuram captar o espírito dos personagens e transmitir a essência de cada um deles. Tecidos, texturas e paletas de cores diferentes foram utilizadas em função dos personagens. Os acessórios desempenharam um papel essencial no processo de caracterização, especialmente considerando as singularidades anatómicas da personagem principal. A head piece de touca e cornos, que configura a imagem de marca de Maléfica, as asas, as pulseiras e os anéis fabricados com garras e ossos de animais, contrastam com a leveza, fluidez e ingenuidade das roupas da princesa Aurora, num diálogo de opostos que se complementam. Jacqueline Durran veste Mr. Turner Jacqueline Durran é uma figurinista britânica cuja carreira no cinema se iniciou a par do século em que hoje vivemos. Estreou-se numa curta-metragem em 2001 e desde então colaborou em diversos filmes. Este ano recebeu a sua quarta nomeação para os cobiçados prémios da Academia, que lhe poderá granjear o segundo Óscar. O primeiro foi em 2012 com Anna Karenina, de Joe Wright, ao lado de quem recebeu as outras nomeações por Orgulho e Preconceito em 2005 e Expiação em 2007. Em Mr. Turner, de Mike Leight, Durran veste a Inglaterra do Romantismo, num filme que segue os últimos 25 anos da vida do controverso pintor inglês J. M. W. Turner. Caracterizar os personagens e definir cada uma delas através do guarda-roupa foi, para Durran, a tarefa mais importante. Alguns exemplares dos primórdios da fotografia e quadros da época foram os principais elementos de inspiração e referência histórica para os looks criados, que se queriam vividos e reais, marcados por cores neutras e escuras que contrastassem com as reconhecidas representações da luz feitas pelo artista inglês.