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Qvinto em viagem de ida e volta

Apesar de se tratar de uma marca nacional, a Qvinto atravessou o Atlântico para testar o seu potencial no mercado dos EUA. Agora, de volta ao país de origem, quer contagiar os portugueses com o espírito de verão das suas coleções de calções banho, expandindo-se para o segmento das t-shirts e polos.

João Filipe

João Filipe, CEO da Qvinto, é atualmente o único fundador que permanece em atividade na marca de calções de banho para homem, do grupo de cinco amigos que lhe deu origem. Lançada em 2016 e inspirada na «portugalidade, ou seja, tudo o que é a diversidade paisagística, urbana e da natureza» portuguesa, a marca estreou-se no mercado através de uma feira internacional nos EUA, conta o CEO. A partir daí, «começámos pelos canais online e algum retalho [físico], mas pouco significativo», continua, até chegarem, em 2017, ao mercado nacional.

A Qvinto procura dirigir-se ao «homem contemporâneo que cada vez mais busca detalhes, conforto e qualidade», revela João Filipe, daí que «todos os nossos modelos são desenvolvidos com moldes próprios, de muito trabalho de pesquisa e de vários testes para garantir e maximizar esse conforto para quem procura estar confortável na praia». A portugalidade é a base criativa da marca, que incorpora o padrão e o design da azulejaria e calçada portuguesas nos seus produtos – que além dos calções de banho incluem camisas e calções de linho –, bem como cores que remetem para a «natureza presente de norte a sul» do país.

Para a nova coleção primavera-verão 2020, a marca vai «manter os modelos que temos», assim como «aumentar a nossa linha de produtos» para t-shirts e, talvez, polos, anuncia João Filipe, explicando que este último segmento está ainda a ser desenvolvido. Dentro das t-shirts, a marca planeia lançar modelos full print e básicos com apontamentos no interior, produzidas com 100% de algodão mercerizado.

Até ao momento, a reação dos retalhistas «foi fantástica», assume o CEO, sobretudo na feira Cabana, em Miami, onde apresentaram a coleção. «Foi muito melhor do que o que poderíamos esperar», confessa.

Tendência em crescendo

A Qvinto nem sempre teve a mesma recetividade que parece atrair agora. Aquando do retorno a Portugal, João Filipe afirma que houve um «crescimento mais lento». Contudo, à medida que foi integrando as lojas multimarca nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro e, mais tarde, o El Corte Inglés, a evolução começou a ser visível. «Este ano começa a haver o reconhecimento da marca, [o público] começa a conhecer a marca e a associá-la a qualidade», o que lhe garantiu 2019 como «o ano em que definitivamente tivemos muito bons resultados, sobretudo em França e Inglaterra», revela o CEO.

Em 2019, a Qvinto registou um crescimento anual de 200% e João Filipe ambiciona «dobrar novamente» em 2020, já que «os investimentos que estamos a fazer e os mercados que estamos a tentar abrir podem ter esse significado». Atualmente, a marca exporta 80% da sua produção, dirigida prioritariamente aos EUA, seguidos por França e Inglaterra. «No próximo ano, vamos começar também, fruto do trabalho com AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal], a trabalhar o mercado russo», indica o CEO.

A Qvinto quer, assim, expandir a cultura paisagística nacional ao resto do mundo, associando-a à qualidade dos tecidos. «A confeção é sempre toda feita em Portugal. Todos os materiais, à exceção de algumas camisas de linho, que são provenientes de Itália, também são de Portugal, de fornecedores portugueses» subcontratados, reforça João Filipe.

Ao nível da distribuição, para além do retalho multimarca, a Qvinto apoia-se fortemente na eficácia da sua loja online, onde os produtos são vendidos diretamente ao consumidor final e entregues, dentro da Europa, num prazo de três a oito dias ou, em serviço expresso, em 24 horas. O contacto com o consumidor final feito através das redes sociais, «nomeadamente através de Facebook e Instagram», confirma o CEO.

De mão dada com bons parceiros

No âmbito da conjuntura atual, João Filipe acredita que o «principal desafio é encontrar bons parceiros», principalmente para as empresas recém-criadas. «Infelizmente a indústria portuguesa não aposta nas marcas portuguesas. Tudo procura volumes, tudo procura quantidades», que, numa fase inicial, não são sustentáveis para uma marca que acabou de chegar ao mercado. «Lembro-me que o maior desafio que encontrei foi precisamente alguém que acreditasse no projeto e que nos desse oportunidade de fazer amostras e coleção com mínimos que sejam razoáveis e comportáveis para quem está a iniciar», recorda o CEO. «Nunca me esqueço de quem começou connosco», é uma «questão também de lealdade e reconhecimento» por quem sempre apoiou a marca, conclui João Filipe.