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RadiciGroup investe em não-tecidos

O grupo italiano investiu 15 milhões de euros numa linha de tecnologia metlblown para produzir não-tecidos para equipamentos de proteção individual. Com uma capacidade mensal equivalente a 170 milhões de máscaras cirúrgicas o RadiciGroup quer contribuir para reduzir a dependência de importações de países fora da Europa.

[©Radici]

O investimento surge depois do RadiciGroup ter conseguido, durante o pico da pandemia, organizar-se para criar uma linha produtiva para não-tecidos spunbond destinados a batas médicas e outros equipamentos de proteção individual, mas não ter sido capaz de dar resposta aos pedidos de outro tipo de não-tecidos.

«No meio da crise pandémica, a falta de não-tecidos meltblown tornou-se evidente. Recebemos dezenas de pedidos de potenciais clientes. Apenas uma pequena quantidade de material meltblown é produzido na Europa, o que certamente não é suficiente para responder à procura numa emergência sanitária», justifica Maurizio Radici, vice-presidente e COO do RadiciGroup, que em 2019 registou um volume de negócios de 1.902 milhões de euros. «Tendo em conta a nossa vasta experiência na área dos não-tecidos, começámos rapidamente a tentar perceber como criar uma cadeia para a produção de equipamentos de proteção individual em Itália. E, assim que surgiu a oportunidade para tomar medidas concretas, não hesitamos em avançar», afirma.

A nova linha de produção, que está a ser instalada na Tessiture Pietro Radici SpA, em Bérgamo, é «extremamente sofisticada e tecnologicamente avançada», indica a empresa italiana, acrescentando que pode fazer produtos com características técnicas, com recurso não só a polipropileno mas também a outros polímeros, como poliéster, poliamida e poliuretano termoplástico (TPU).

Mais do que máscaras

«Com esta nova linha instalada no Valle Seriana – que está entre as áreas mais atingidas em Itália pela pandemia de coronavírus –, o RadiciGroup vai tornar-se um dos poucos produtores europeus capazes de oferecer tanto não-tecidos spunbond – um produto bem conhecido já produzido há vários anos pela Tessiture Pietro Radici e usado em máscaras faciais de proteção tanto na camada externa como na interna, em contacto direto com a cara –, como não-tecidos meltblown, que é o componente de filtração e proteção de todos os tipos de máscaras, incluindo as cirúrgicas e as máscaras FFP2 e FFP3», afirma Enrico Buriani, CEO da Tessiture Pietro Radici. «Em termos de capacidade de produção, a nova linha será capaz de produzir cerca de 120 toneladas/mês de não-tecido meltblown ou material suficiente para fazer mensalmente cerca de 170 milhões de máscaras cirúrgicas», revela.

[©Radici]
O objetivo, refere a empresa, é reduzir a dependência das importações de países não-europeus – segundo o RadiciGroup, que cita dados da Assosistema – Confindustria, Itália importou, entre fevereiro e agosto de 2020, 2,66 mil milhões de euros de máscaras, 92% dos quais da China – e trazer de volta a Itália a produção de artigos essenciais para a proteção na área da saúde.

«O nosso país tem de ser a sua própria produção de bens essenciais e a nossa compra da nova linha de produção de não-tecidos meltblown é um passo nessa direção», admite Maurizio Radici. «Ao mesmo tempo, a linha de produção é um investimento para o nosso grupo, porque temos também de considerar que este produto pode ter outras aplicações técnicas, como a filtração, apresentando assim perspetivas de sustentabilidade económica a médio prazo», reconhece o vice-presidente e COO do RadiciGroup.