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RDD avança com fios reciclados

Os testes já foram efetuados, a primeira coleção encontra-se em desenvolvimento e a unidade de produção está a ser instalada. Os fios reciclados da empresa do grupo Valérius, e um dos primeiros resultados do projeto Valérius 360º, chegam ao mercado em outubro.

Miklos Nagy

Estes fios reciclados serão produzidos com desperdícios pré-consumo. Segundo afirmou Miklos Nagy, diretor de produção no projeto Valérius 360º, que é gerido pela RDD, durante a fabricação perde-se cerca de 18% da matéria-prima. A procura por valorizar esse desperdício «não é nada de novo. O que estamos a fazer aqui é uma grande adaptação, porque estamos a tentar passar isso para a moda e a alta moda», elucidou, na apresentação que fez do projeto na iTechStyle Summit.

Georgios Priniotakis, Miklos Nagy, Pedro Magalhães, Nina Braga e Enrico Venturini

Os desafios na concretização do projeto passam não só pelo comprimento e resistência da fibra após o processo de reciclagem, mas logo pelo primeiro passo: a separação. «Quando iniciamos a separação por cor, por matéria-prima, por tipo de malha, foi muito duro. Agora temos tudo separado e já conseguimos começar a armazenar», explicou o diretor de produção, avançando que «há já desenvolvimentos na Bélgica e na Holanda de um sistema completamente automático, que consegue detetar a composição da fibra e, a partir daí, separar automaticamente».

Os primeiros fios foram sujeitos a ensaios internos e estão agora a ser testados nos clientes, mas os desenvolvimentos continuam em curso. «O nosso fio alvo é o Ne 36. Para já estamos com 40% de reciclado – o nosso objetivo é chegar a 60%», reconheceu Miklos Nagy. A empresa conseguiu ainda fazer a produção «à velocidade de produção de um fio normal».

Novos desenvolvimentos em 2024

A primeira coleção de fios reciclados está a ser ultimada e deverá ser apresentada nas próximas feiras profissionais. «Trata-se de uma coleção completa, com mais variedade, muito mais interessante do que fizemos até ao momento», esclareceu o diretor de produção no projeto Valérius 360º. Já a produção industrial deverá começar em outubro. O edifício «onde vão ser colocadas as máquinas está praticamente pronto. As máquinas começam a chegar em junho e em outubro e novembro a parte têxtil arranca», indicou.

O projeto Valérius 360º contempla ainda a produção de papel de algodão produzido a partir de desperdícios pós-consumo. «Estamos a desenvolver a máquina para transformar o algodão em papel», revelou, adiantando que esta área de negócio deverá começar em maio do próximo ano.

No geral, este é, admitiu Miklos Nagy, «um projeto muito audacioso. Simplesmente pegamos nas ideias e colocámo-las em prática. Muitas pessoas chamam-nos loucos, mas achamos que este é o nosso caminho e que vamos conseguir um mercado muito interessante». E a meta não é ficar por aqui, estando traçado o objetivo não só de produzir um fio fino, mas também um fio com funcionalidades. «E, efetivamente, fazer uma qualidade premium –, aí temos investido muito», confessou.

Quanto ao futuro, «em 2024 vamos fazer novos desenvolvimentos dentro da mesma linha de sustentabilidade e 2027 já vai ser, efetivamente, a consolidação do nosso projeto», antevê o diretor de produção no projeto Valérius 360º.