Início Notícias Têxtil

RDD com fibras a mil

-A empresa do grupo Valérius tem investido no desenvolvimento e utilização de novas fibras, quer a solo, quer com parceiros como a Pangaia. Da banana ao ananás, passando pelos citrinos, urtigas ou algas, vale quase tudo para a RDD.

Elsa Parente

Empenhada em manter-se na linha da frente da inovação têxtil, a especialista em malhas continua a somar fibras e processos sustentáveis à sua oferta. Na nova coleção constam artigos fabricados com os fios reciclados produzidos na Valérius 360, assim como malhas com tingimentos mais ecológicos. «Estamos a apresentar uma gama de artigos que produzimos com fios que são tingidos com desperdícios da indústria alimentar – temos um parceiro japonês que faz o tingimento com desperdícios de café e beringela», assim como produtos resultantes do projeto Colorifix, «um tingimento com microrganismos em que conseguimos poupar 90% de água, 90% de produtos químicos e até 40% de água – estamos ainda a calcular o lifecycle assessment do processo, mas estamos nestas poupanças», revelou Elsa Parente, CEO da RDD.

Valérius 360

As fibras naturais são uma das apostas do “braço” de desenvolvimento de malhas do grupo Valérius, mas com foco nas «que têm menos impacto no ambiente, quer seja na parte de crescimento da fibra, quer depois no seu processo», afirmou Elsa Parente. É aqui que entram o algodão orgânico e o algodão reciclado, mas também o cânhamo e o liocel de bambu, assim como várias outras fibras «que chamamos de nova geração», explicou ao Jornal Têxtil. A lista é enorme e inclui algas, kapok, abacá (ou cânhamo-de-manila, semelhante à bananeira) e urtiga.

Sustentabilidade em toda a linha

Em parceria com a Pangaia, a RDD desenvolveu têxteis produzidos a partir de folha de banana e ananás, assim como de eucalipto e algas, batizados, respetivamente, Frutfiber e Plntfiber, que têm o toque e o aspeto do algodão, mas com mais benefícios ambientais. Usa ainda fibras produzidas a partir do processamento de celulose extraída de restos de sumos de citrinos, que criam o fio O/RANGE, que se apresenta como macio, sedoso e leve, podendo ser aplicado só ou em misturas.

«É um mercado que está por vir. A consciência ambiental dos clientes e do consumidor faz mesmo com que tenhamos de utilizar esse tipo de fibra», salientou Elsa Parente.

Além das fibras, a empresa junta também os processos, para uma visão integrada da sustentabilidade. «Trabalhamos desde a seleção das fibras até à parte do tingimento e acabamentos – temos essa preocupação. No caso dos processos de tingimento e acabamento também procuramos utilizar e estamos a implementar processos novos que significam uma poupança muito grande para tudo o que são consumíveis», adiantou a CEO.

Os investimentos agora estão, por isso, concentrados em «implementar e fazer o scale up daquilo que estivemos a desenvolver», acrescentou Elsa Parente.