Início Destaques

RDD continua a regenerar

A especialista em malhas continua a somar desenvolvimentos inovadores na indústria têxtil com foco no conceito de desperdício zero. A RDD, que estabeleceu recentemente uma parceria com uma empresa japonesa para tingir fios com desperdícios alimentares como o café e a beringela, viu crescer as suas vendas em 2020, um ano particularmente difícil para o sector.

Elsa Parente

“Humanity 4.0” foi o tema exibido pela RDD na Munique Fabric Start com propostas para o outono-inverno 2022/2023. Entre «os destaques que saíram desta coleção estão três grandes inovações», afirma a CEO Elsa Parente.

A coleção 360º composta por malhas recicladas, sobretudo algodão, fruto do processo de reciclagem mecânica do projeto Valérius 360. «Estamos também a apresentar uma gama de artigos produzida por nós, cujos fios foram tingidos por um parceiro japonês que faz tingimentos através de desperdícios alimentares como o café, a beringela ou mirtilos», revela ao Portugal Têxtil.

Já o projeto Colorifix, um tingimento com microrganismos, permite uma poupança de água e de produtos químicos na ordem dos 90% e uma redução do consumo de energia até 40%. Este inovador processo de tingimento biossintético, desenvolvido pela Colorifix em parceria com a Universidade de Cambridge, teve um investimento de 500 mil euros, «um valor muito pequeno em relação à vantagem que tiramos com este processo», assegura Elsa Parente.

A especialista em malhas investiu ainda numa máquina de mercerizar, valendo-lhe desta forma a certificação GOTS no algodão mercerizado, «com grande procura no mercado», salienta.

As fibras de nova geração continuam a ser a grande aposta da RDD, com destaque para as fibras naturais que têm menor impacto ambientar, quer seja na parte de crescimento da fibra da planta ou durante o seu processamento. O cânhamo, o liocel, o algodão orgânico e o algodão reciclado são as matérias-primas que dominam nos novos desenvolvimentos têxteis bidimensionais.

Com a sustentabilidade na linha de mira, a empresa “laboratório” do Grupo Valérius, que exporta 100% da produção, registou uma subida no volume de negócios num ano particularmente difícil para o sector têxtil em consequência da pandemia. «2020 foi um ano excecionalmente bom», reconhece a CEO da RDD, que fechou o último exercício fiscal com 8 milhões de euros.

«Tivemos mercados que evoluíram negativamente, como por exemplo o sueco. No entanto, tivemos outros mercados que, para nós, nem eram prioritários, como o caso do Reino Unido, que evoluíram de forma muito favorável. Tudo tem a ver com a tendência de consumo, ou seja, a procura online e o tipo do produto que o consumidor começou a procurar nos últimos dois anos», explica Elsa Parente.