Início Destaques

RDD ganha com a inovação

A empresa especialista em malhas tem vindo a fazer desenvolvimentos que está a acrescentar à sua oferta. Depois da malha termocolada com enchimento de liocel que lhe valeu um prémio na Munich Fabric Start, a nova coleção inclui propostas com algodão mercerizado GOTS e tingimento em peça com pigmentos naturais.

Elsa Parente e Francisco Rosas

Desenvolvida e produzida pela RDD, a malha termocolada com pasta de enchimento de liocel «serve como uma alternativa a tudo o que existe no mercado que é com poliéster e poliamida. Conseguimos, com este tipo de pasta de enchimento, termos um artigo termocolante que é 100% sustentável e ecológico», aponta Elsa Parente, diretora-geral da RDD.

A inovação valeu à empresa o prémio Hightex Award da Munich Fabric Start e garantiu-lhe mais visibilidade para um projeto que foi implementado há pouco mais de dois anos. «Traz sempre visibilidade. Claro que os clientes, curiosos com este prémio, acabam por ver a nossa coleção, até porque já temos outras versões, com diferentes malhas, desenvolvidas com esta pasta de enchimento de Tencel», confirma Elsa Parente ao Portugal Têxtil.

Norte da Europa, nomeadamente a Suécia, China, Itália e França são atualmente os principais mercados da empresa, que vende diretamente para o exterior 40% do seu volume de negócios. A crescer está também a oferta voltada para a sustentabilidade, nomeadamente a gama Organic & Mercerized, composta por algodão orgânico mercerizado com certificação GOTS, e a gama mid.tone, com tingimento em peça com pigmentos naturais. «São pigmentos extraídos de sementes, de frutos, de arbustos», explica a diretora-geral da RDD, adiantando que a paleta de tons acastanhados poderá ser alargada. «Estamos a estudar outras paletas», afirma.

A RDD está ainda a apresentar os resultados do projeto 360º, que inclui papel e fios reciclados a partir de desperdícios de algodão durante a produção. «Temos misturas de liocel com algodão reciclado», revela Elsa Parente, acrescentando que «conseguimos criar um fio com nepes, que é muito tendência».

Duplicar os negócios

A inovação, de resto, está no coração da empresa desde que foi criada, em agosto de 2017. «Temos a nossa equipa interna de desenvolvimento que está sempre à procura de novas soluções, de novos produtos e de novas combinações para termos artigos diferentes», sublinha Elsa Parente.

A coleção para o outono-inverno 2020/2021 conta com cerca de 200 referências, num esforço de criação liderado por Francisco Rosas, diretor de design da RDD, que tem em atenção tendências mundiais como o sportswear. «A sociedade tem que se inspirar em qualquer coisa. Seja nas tendências, seja nas influências da população, e, quem quer vestir, tenta sempre procurar uma identidade. Essa identidade, neste momento, está a vir de um mundo desportivo», resume o diretor de design da RDD. «Estamos a tentar receber essa informação e transformá-la», acrescenta.

O investimento na inovação e no design tem dado frutos, comprovados nos números. No ano passado, o primeiro completo em atividade, a RDD registou um volume de negócios de quase 2 milhões de euros, um valor que deverá duplicar este ano. «No primeiro semestre já faturamos mais do que no ano passado todo. Tínhamos o objetivo de 4 milhões de euros de faturação este ano e vamos conseguir», assegura a diretora-geral.