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rea têxtil cresce nos Hipermercados

No Brasil, a participação de marcas próprias do sector têxtil dentro de hipermercados ainda é pequena, mas tem uma tendência para a ampliação. Na opinião do coordenador geral do Programa de Administração em Varejo da Universidade de São Paulo, Cláudio Felisoni De Angelo, “funciona como uma estratégia de combate às marcas líderes para os super-retalhistas” .”Para o consumidor, quanto mais competição melhor”, acrescenta. Como exemplo deste crescimento e do cada vez maior interesse dos hipermercados pela área têxtil está o Hipermercado Extra, do grupo Pão de Açúcar que, depois de colocar a própria marca em 700 produtos alimentícios, resolveu apostar com mais força no sector têxtil, está a modernizar o seu departamento de vestuário e acaba de lançar três marcas nas 53 lojas que possui. Só este mês, 100 itens infantis foram lançados com as etiquetas exclusivas Bambini, Boomy Kids e Life, outros 100 chegarão às lojas em Maio e prevê-se a criação de marcas voltadas para a classe adulta, que deverão ser lançadas no segundo trimestre. “O objectivo é que 70% dos itens do sector têxtil sejam de marca própria”, diz a directora de comercialização do departamento têxtil do grupo Pão de Açúcar, Rose Silveira, que prevê um crescimento nas vendas de pelo menos 50% nos próximos dois meses. O grupo francês, Carrefour, tem o seu sector de têxteis em funcionamento desde o início da década de 90, vendendo produtos de cama, mesa e banho com a marca Tex. E também este retalhista promete aumentar em cerca de 25% o número de itens da marca exclusiva Tex até o fim do ano. A rede francesa, que conta com mais de 1,2 mil produtos de marca própria nos departamentos de alimentos, higiene, limpeza e bazar, tem actualmente 400 itens de vestuário, cama, mesa e banho no departamento têxtil com a marca exclusiva. Mas, ainda existe uma associação psicológica, uma avaliação precipitada que põe em risco o sucesso das vendas de têxteis nos hipermercados: baixo preço igual a má qualidade. As peças exclusivas oferecidas pelo Extra e Carrefour custam cerca de 15% menos que as outras marcas vendidas em seus respectivos departamentos de vestuário e apresentam uma qualidade similar à de grandes marcas. Hering, Malwee e Tip Top estão entre os fornecedores, que apesar da imagem consolidada junto ao público, destinam parte da produção para colocar a etiqueta de clientes seus. Além de acompanhar as tendências da moda, os departamentos de vestuário do Extra e Carrefour desenvolvem os produtos junto aos fornecedores, acompanham a produção e muitas vezes colocam suas etiquetas em roupas que o consumidor está acostumado a comprar com outro nome. As empresas fabricantes não demonstram muito interesse em expandir este tipo de parceria, onde nas suas peças colocam etiquetas de outras marcas, como por exemplo a Tip Top, que aceitou confeccionar produtos com etiquetas exclusivas do Extra. “A principal vantagem da parceria é do Extra, que recebe peças exclusivas com a qualidade Tip Top”, acredita a representante da empresa junto ao hipermercado, Ebe Favaretto Donini. “Para nós, o interessante é que praticamente dobramos as vendas porque o cliente continua a comprar nossa marca”, adianta. De acordo com Rose Silveira, o investimento feito pelo Extra há dois anos, na criação de uma marca própria, do qual surgiu a marca Paisage, roupa de cama, mesa e banho, representa “hoje 50% das vendas do segmento”, afirma, “são mercadorias de qualidade, preço competitivo e boa apresentação”, acrescenta. Embora não avançando números, Rose garante que o investimento feito com o lançamento das marcas exclusivas para o sector de vestuário não foi pequeno. Além de ir buscar inspiração às tendências internacionais, o Extra montou um laboratório para garantir, por exemplo, a resistência de tecidos e cores. “A política da empresa é atender o cliente em todos os seus desejos”, afirma Rose Silveira.