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Reabertura deve ser «cautelosa»

Numa fase em que a indústria e o retalho de vestuário estão a retomar a atividade torna-se fundamental, alerta a GlobalData, seguir medidas que evitem os pontos de contágio. O processo de reabertura deve ser gradual e contar com o apoio necessário para o fazer com segurança.

O encerramento de fábricas, lojas e várias empresas do sector de vestuário durante o confinamento, originado pelo novo coronavírus, afetou tanto os rendimentos dos funcionários como das próprias entidades empregadoras. Deste modo, a reabertura das empresas garante a subsistência de muitos trabalhadores, principalmente nos países menos desenvolvidos, onde a pobreza é mais eminente. O facto de várias encomendas terem sido canceladas ou adiadas por várias marcas e retalhistas também exerce uma pressão maior sobre as empresas para voltarem ao ativo. «Os fornecedores já enfrentam entraves significativos, práticos e financeiros, para que os negócios voltem a operar, o que é agravado pela necessidade e o custo adicional de fazer mudanças e reequipar de forma a manter os trabalhadores em segurança», afirma Leoni Barrie, analista de vestuário da GlobalData.

Algumas empresas estão a facultar máscaras e outros equipamentos de proteção individual (EPI) aos colaboradores e não deixam seguir as recomendações estabelecidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre elas, a purificação do ar, equipamento para a lavagem de mãos, medição da temperatura, desinfeção do calçado, criação de turnos para reduzir o número de pessoas nas instalações ao mesmo tempo e ainda reorganização dos espaços de operação e as áreas de refeição, para que os funcionários estejam separados pela distância de cerca de dois metros.

Apesar de todas as medidas para evitar a disseminação do vírus, a adaptação das condições de trabalho durante a fase de pandemia traz alguns contrapontos. «Embora as propostas parecem razoáveis, estas medidas podem ser muito difíceis de implementar dada a escala de produção de muitas fábricas e a sua localização concentrada em áreas residenciais e urbanas», aponta a analista. «Numa fábrica com dois mil trabalhadores, poderia levar duas horas para os funcionários entrarem no edifício se tivessem 10 estações para a lavagem de mãos. Ao mesmo tempo, se os colaboradores estiverem numa fila com a devida distância, isso ia alargar-se para mais de um quilómetro», exemplifica Leoni Barrie.

Outro dos desafios expostos pela empresa especialista na análise de dados é a implementação do distanciamento social que, uma vez cumprido, pode significar que uma determinada empresa não tem a devida capacidade para suportar todos os trabalhadores, o que resulta em mais um problema, que sobrecarrega as empresas e os respetivos trabalhadores. «A contribuição dos produtores é crucial para assegurar que as novas políticas de trabalho são aplicadas em diferentes situações. De igual forma, as marcas têm de desempenhar o seu papel ao pagar pelos artigos recebidos e em produção quando sentirem o impacto da crise do Covid-19. Elas também têm de estar preparadas para fornecer assistência prática e até mesmo apoio financeiro, para garantir que as medidas de segurança são realmente aplicadas», explica a analista de vestuário.

A GloabalData defende, assim, que todas os atores da indústria do vestuário devem cumprir com a sua parte para que, em conjunto, consigam combater a pandemia, assegurando o bom funcionamento da cadeia de aprovisionamento e a proteção dos trabalhadores. «Deixar que os fornecedores assumam o peso de uma lista de requisitos de segurança crescente não deve ser uma opção. É também do interesse de todos garantir a existência de medidas para prevenir um surto de contágio que irá prejudicar uma cadeia de aprovisionamento já fraturada», garante Leoni Barrie.