Início Arquivo

Recessão é oportunidade de mudança – Parte 2

Com base nos dados divulgados em Julho pela Otexa, onde foram apresentados os indicadores das importações de vestuário no mercado norte-americano (Recessão é oportunidade de mudança – Parte 1), segundo David Birnbaum, autor do “The Birnbaum Report”, uma newsletter mensal destinada aos profissionais da indústria de vestuário, cruzou-se a linha do desconhecido e entrou-se num território onde deixaram de existir vencedores. A culpa é da recessão De acordo com o senso comum, a responsabilidade é da recessão. Tudo é resultado do colapso do mercado. As t-shirts não estão a ser vendidas na cidade de Des Moines, no Iowa, porque os banqueiros gananciosos, em Nova Iorque, estiveram a brincar com a economia norte-americana. A resposta é «aguentar até que a recessão acabe e utilizar a estratégia de soluções de curto prazo como os descontos fiscais e os subsídios directos. Eventualmente, o mercado voltará ao normal e os sobreviventes – pelo menos os que sobreviverem – vão poder regressar à normalidade.» Certamente que os banqueiros e afins têm muito pelo qual responder, mas o fim do interminável mercado da t-shirt pode não ser um destes casos. O que acontecerá se a recessão durar mais um ano ou mesmo mais dois? O que acontecerá se, como alguns economistas estão agora a prever, o fim da recessão não trouxer um aumento do emprego? O que acontecerá se a recessão terminar, mas o consumidor não regressar a esse frenesi de consumo em massa de t-shirts, como estamos habituados? O que acontecerá se o problema não for a recessão, mas uma mudança significativa e de longo prazo no mercado? Mais importante ainda, e se o problema sempre existiu e não o vimos até que a recessão o trouxe à superfície? Indústria omnipresente A nossa indústria é muito estranha, afirma Birnbaum. Não é apenas global, é omnipresente. Se existem 192 países no mundo todo, existem 192 indústrias exportadoras de vestuário. Em qualquer momento, um conjunto muito restrito de países domina a indústria. Num determinado ponto, o seu domínio termina geralmente e a sua importância como fornecedor desvanece. Por exemplo, houve um período em que as Filipinas e a Tailândia rivalizavam com a China como indústrias de vestuário dominantes. Houve uma altura, há menos de 10 anos atrás, em que o México fornecia mais vestuário aos EUA do que a China. Estes antigos vencedores desapareceram praticamente, perdidos num mercado cada vez mais complexo. Surpreendentemente, três destes quatro países não se encontram no topo da lista do governo norte-americano dos principais fornecedores de vestuário. Hong Kong é o 16.º, Taiwan é 22.º e a Coreia é 27.º (apenas atrás do Haiti). é verdade que nenhum dos três exporta muitos artigos de vestuário, mas as suas empresas ainda são líderes da indústria. Se alguma dúvida existe, considere-se o seguinte: a Li & Fung, com sede em Hong Kong, é o segundo maior fornecedor de vestuário do mundo, depois da China. Nos últimos 12 meses, as vendas da Li & Fung foram superiores à totalidade das exportações de vestuário de toda a ásia do Sul, ou seja, mais que as exportações combinadas de Bangladesh, índia, Paquistão e Sri Lanka. Além disso, a Li & Fung pode ser a maior empresa de Hong Kong, mas há outros que jogam no mesmo campeonato. A Coreia do Sul e Taiwan são a base para a grande maioria dos 50 principais exportadores mundiais de vestuário. Se juntarmos a China, ficamos com a maior aglomeração de exportadores de vestuário do mundo. Assim, enquanto Bangladesh, Vietname e Indonésia certamente aparentam estar bem actualmente, devemos esperar algumas décadas antes de nos apressarmos a colocá-los na mesma categoria de Hong Kong, Coreia, Taiwan e China. Na terceira parte deste artigo, o autor do “The Birnbaum Report” analisa as razões do sucesso destes países.