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Recessão travou PLM

Há dois anos atrás, o mercado global para o software de gestão do ciclo de vida do produto (PLM, do original: Product Lifecycle Management) estava em alta, com um número crescente de produtores de vestuário e calçado a investirem em tecnologia para ganharem vantagem competitiva num mercado de moda cada vez mais complexo. Na realidade, alguns produtores afirmaram que as vendas poderiam crescer entre 30% a 40% ao ano até 2014, face ao aumento das encomendas. Mas, como no resto, a crise económica que começou no final de 2008 mudou tudo isso. Prejudicados pela queda nas vendas, os produtores de vestuário cortaram drasticamente os gastos, pressionando muitas das empresas que comercializam PLM a baixar os preços, a reduzir as ofertas e a travar a sua expansão. «As previsões de crescimento [da indústria] foram fortemente afectadas pela crise», reconhece Philippe Solignac, director de produto de PLM na Lectra, que teve de travar uma ambiciosa incursão asiática, apesar de esperar regressar em “plena força” após o Verão. «Todos foram prejudicados e, no ano passado, as vendas caíram 20% em todas as áreas», prossegue Solignac. No entanto, o director de produto de PLM na Lectra revela que as coisas parecem estar a melhorar este ano, à medida que a economia mundial se comsolida, acrescentando que o volume de negócios no segundo semestre deverá melhorar significativamente, ajudando a indústria a crescer entre 5% e 10% em 2010. Kathleen Mitford, vice-presidente de produtos e estratégia de mercado na PTC, empresa fornecedora de soluções PLM, concorda que a crise atingiu a indústria. No entanto, Mitford considera que o crescimento está a regressar rapidamente, acrescentando que o pior já passou. E o mercado poderia retomar este ano o crescimento de 20% conseguido em 2008, se a economia mantiver a sua tendência ascendente, confia a responsável. Os gastos em PLM também vão aumentar porque as empresas de vestuário estão mais conscientes dos benefícios do que há dois anos atrás. «O ano 2008 foi de aprendizagem, em que as pessoas ainda estavam a avaliar o PLM, mas 2010 é diferente. Quando se menciona PLM aos executivos da moda, todos sabem o que se quer dizer, especialmente na América do Norte e na Europa», refere Mitford. Os observadores concordam que a Ásia, especialmente China e Índia, será o mercado com maior crescimento no futuro. No entanto, reconhecem que o gigante continua sonolento e que o mercado pode não avançar significativamente, durante os próximos dois anos. Isto ocorre porque a primeira onda de investimentos está apenas a começar e vai demorar a chegar até aos players mais pequenos, que adoptam estas medidas mais lentamente. Uma razão pela qual o mercado asiático não descolou é a falta de fundos e a prevalência da costura à mão, como aponta Solignac. Mitford, por seu lado, considera que existem também oportunidades de crescimento na Europa, particularmente na Alemanha, França, Itália e Reino Unido, onde dezenas de PME’s estão interessadas no PLM. A América do Norte é talvez o mercado menos atraente, na medida em que a maioria dos grandes produtores já comprou soluções PLM. À medida que os produtores de vestuário cortaram gastos durante a recessão, muitos utilizadores de PLM pressionaram os seus fornecedores de software para criar soluções com preços, opções de configuração e recursos de integração mais flexíveis. Para responder a essa tendência, muitas fornecedoras desta solução lançaram versões mais simples das suas ofertas principais. A PTC, por exemplo, promoveu o seu software PLM Express, um sistema pré-configurado com um roteiro de implementação padrão que reduz os tempos de execução e os custos. Os fornecedores de software também foram incentivados a formar equipa com outros grupos de tecnologias de informação, para assim encontrar formas de racionalizar os seus produtos e tornar a prestação de serviços mais competitiva. E isso, de acordo com Rroy Wilderman, analista da Forrester Research, vai influenciar as tecnologias do futuro. Wilderman afirma que algumas integrações de PLM enfrentam atrasos “terríveis” e os produtores devem esforçar-se para melhorar esta situação. O responsável refere que os sectores da moda e retalho serão os maiores investidores futuros do PLM, à medida que o software já se torna presente noutros sectores. No entanto, Wilderman considera que a previsão de crescimento de 40% de alguns executivos é exagerada. «Os retalhistas de moda estão definitivamente interessados no PLM, mas se poderem, vão evitá-lo. Consigo prever uma taxa de crescimento de dois dígitos baixa nos próximos anos», conclui o analista da Forrester Research.