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Reciclagem beneficia economia

Situada em Ribeirão, Vila Nova de Famalicão, a Sasia SA está no mercado há 50 anos e é líder nacional na actividade de reciclagem. Reciclar fibras têxteis evita a destruição poluidora dos desperdícios do sector têxtil e reduz a necessidade de matérias-primas como o algodão. Ao longo do fabrico, as empresas têxteis deixam ficar cortes de confecção ou fios que não servem. Assim, os desperdícios são têxteis de primeira linha que no processo de fiação, por exemplo, não são usados e acabam reciclados pela Sasia. Segundo Libório Silva, sócio-gerente da empresa «asseguramos que o que uns deitam fora não vá para o lixo e venha a ser utilizado». «Trata-se de desperdícios que são subprodutos têxteis e que terminam sendo reciclados para fins industriais. De tudo o que nos vem ter à mão estudamos a possibilidade de obter um produto vendável, porque o que não serve para uns no processo especializado de fabrico, serve para outros.» Apesar da colchoaria, estofos, geotêxtil, metalurgia e o fabrico de algodão hidrófilo representarem uma importante fatia nas vendas da empresa, são as indústrias automóvel, algodoeira e laneira os principais clientes. Libório Silva explicou que «há uma grande polivalência nos produtos. Podem ser aplicados na indústria automóvel através das placas de geotêxtil que revestem as malas dos carros, ou nas estradas através das matérias-primas químicas que absorvem a humidade e são colocadas antes destas levarem o piso, pois evitam que abram buracos…também o subproduto que nos é dado pela tecelagem vai para a limpeza na metalurgia, enquanto dentro dos colchões existem camadas de produtos reciclados têxteis». Libório Silva criou a empresa aos 18 anos juntamente com dois amigos. Na altura o avanço tecnológico era reduzido, mas agora que a sociedade é partilhada com dois filhos, o investimento na empresa é constante. Só nos últimos cinco anos, a Sasia aplicou dois milhões e 500 mil euros em viaturas de transporte, empilhadoras e maquinaria moderna. «Em 2001 investimos um milhão e 750 mil euros na montagem de uma linha completa que realiza todo o processo de tratamento dos desperdícios até à criação do subproduto». Libório Silva referiu ainda que «se nos limitarmos a estar numa competitividade forçada, não agradamos a ninguém. É preferível ter novas ideias e soluções». Em relação à facturação anual da empresa, esta vive directamente dependente das oscilações de preço dos materiais nos mercados. «Se tivesse sido um ano excelente, poderíamos ter chegado ao milhão de contos, mas ficámo-nos pelos 600 mil, o que é óptimo». Com uma produção mensal de cerca de mil toneladas, apenas um terço do que reciclam é exportado e apenas para países da União Europeia. Cerca de 40 empresas portuguesas são o mercado privilegiado da Sasia, mas Espanha assume cada vez mais importância. Esta vertente ecológica da Sasia, nasceu naturalmente ao longo das décadas, partir do momento em que «começou a falar na necessidade de reciclar os materiais». Libório Silva destacou ainda a importância da reciclagem no contexto português, «…pois assim damos maior contributo para a economia nacional. Reduzimos as importações e fazemos com que mais dinheiro fique cá… É também um benefício para o país porque dá emprego a todos quantos giram à volta da empresa, como os pequenos comerciantes que vão recolher os desperdícios que nos vendem».