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Reconhecimento facial desconfigura retalho

As tecnologias de reconhecimento facial querem mudar o rosto do retalho. Os retalhistas começam a reconhecê-las e a abrir-lhes as portas das suas lojas. Mas, e os consumidores?

A inclusão de softwares de reconhecimento facial em dispositivos pessoais, como o iPhone X, deverá acelerar nos próximos anos e atingir as massas, o que pode vir a mudar a forma como as pessoas compram. Nos próximos dois anos, mais de mil milhões de smartphones incluirão características de reconhecimento facial, prevê a Counterpoint Research – o equivalente a 64% de todos os smartphones em 2020, face aos 5% registados em 2017.

Os consumidores estão, gradualmente, a reconhecer o valor da tecnologia. Mais de metade (54%) dos americanos planeia usar o reconhecimento facial para proteger os seus dados pessoais, de acordo com a pesquisa da FaceFirst, que providencia sistemas de reconhecimento facial aos retalhistas. Porém, estarão os consumidores preparados para que os seus rostos sejam analisados para fins comerciais?

Afinar a fidelidade

O restaurante californiano CaliBurger, por exemplo, está a integrar o reconhecimento facial no seu programa de fidelidade, uma aposta relativamente segura, uma vez que os membros concordam em partilhar dados pessoais com a marca. O software, instalado em quiosques de encomendas, reconhece os membros registados à medida que se aproximam, ativa as suas contas e, com base nas compras anteriores, pode mostrar as suas refeições favoritas (e talvez sugerir outras).

Idealmente, o programa vai também ajudar a reduzir os tempos de transação para segundos. Num comunicado de imprensa, a CaliBurger descreveu a tecnologia como um «passo fundamental para substituir os “swipes” de cartões de crédito por pagamentos baseados em reconhecimento facial».

A Samsung e a AT & T estão também a explorar o potencial das tecnologias de reconhecimento facial, que utilizam para agregação de dados demográficos, padrões de tráfego e outros dados.

Entretanto, a Intel apresentou o seu software de reconhecimento facial numa loja de doces, onde uma câmara reconheceu clientes e, de seguida, enviou aos vendedores os seus nomes, registos de compras anteriores e recomendações para outros doces.

Por outro lado, foram também recentemente divulgados os esforços que estão a ser feitos para equipar os retalhistas com as tecnologias de reconhecimento facial.

Os óculos inteligentes da SAP Innovation Lab podem munir os vendedores com as principais métricas do cliente. Espera-se que a tecnologia evolua para um dispositivo capaz de rastrear o rosto humano da mesma forma que os Cookies rastreiam as sessões dos utilizadores online.

«Esqueçamos o reconhecimento de clientes frequentes e, em vez disso, vamos reestreá-los como sessões, que podem ser usadas para construir análises de segmentação e ciclos de vendas», avançou Drew Bates, diretor de marketing de produtos da SAP Innovation Lab, em declarações à Forbes.

Online e offline

Até aqui, as compras online permitiam que os retalhistas construíssem perfis detalhados dos seus clientes, juntando as atividades de várias sessões. Todavia, a transição do online para o ambiente de loja continuava a ser um problema.

Os softwares de reconhecimento facial podem permitir que os retalhistas conectem os comportamentos online e offline dos seus clientes e assim estruturar uma jornada de compras livre de limites. O cliente pode, por exemplo, encomendar os artigos online e as câmaras de reconhecimento facial em loja podem começar a preparar a sua encomenda assim que este se aproximar da porta de entrada.

O reconhecimento facial pode ainda recolher dados que revelam não só informações demográficas, como idade, género e raça, mas também as áreas da loja onde o cliente passa mais tempo, quanto tempo demora a escolher cereais e – o mais importante – o que transmite a sua expressão facial. A este propósito, o Walmart já patenteou uma tecnologia que permite que as câmaras capturem as expressões faciais dos clientes nas filas de pagamento para assim ser possível medir os níveis de insatisfação (ou satisfação).

Em última análise, para os analistas, o papel que as tecnologias de reconhecimento facial podem vir a desempenhar no ambiente de retalho depende, em grande medida, de quão bem a indústria expressa as suas intenções.