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Recuperação lenta

Poucos sectores têm sentido os efeitos da recessão de forma tão aguda como o retalho. O impacto do abrandamento nos gastos dos consumidores tem sido bem documentado, com muitos retalhistas a enfrentarem as receitas em queda, a lenta renovação dos inventários, os descontos acentuados e os fluxos de caixa limitados. Como resultado, muitos comerciantes passaram o final de 2008/2009 em estado de pânico estratégico e operacional, limitando a actividade, diminuindo as despesas, renegociando os contratos de arrendamento e aguentando-se firmes, à espera de pequenos sinais de recuperação. O impacto não foi apenas no retalho, mas também nos fornecedores que produzem e distribuem vestuário e outros bens para o retalho Com dificuldades em conservar o seu dinheiro e lidar com a diminuição da procura, os retalhistas estão a comprar menos junto dos seus fornecedores e provavelmente a pagar mais lentamente a esses fornecedores. Estas questões ficaram bem patentes num recente estudo realizado pela Forbes Insights em conjunto com o grupo CIT. As principais conclusões apresentadas no relatório “US Small and Middle Market Outlook 2009: Retailers and Suppliers Take Stock of Economic Downturn” referem as seguintes orientações por parte de retalhistas e fornecedores: • Aguardar prudentemente o regresso da confiança dos consumidores. Metade dos retalhistas no mercado de gama média viram as suas receitas cair ao longo dos últimos 12 meses e 41% esperam que os seus rendimentos cresçam ao longo do próximo ano. No entanto, as taxas de crescimento podem ser refreadas por uma lenta recuperação nos gastos dos consumidores. • Reduzir custos e conservar capital. A queda nas receitas originou que muitos retalhistas tomassem medidas para reduzir custos e economizar dinheiro, suspendendo as expansões planeadas, adiando a reforma das lojas, revendo a oferta e encerrando algumas lojas. • Aumentar fusões e aquisições. Os principais fomentadores das fusões e aquisições serão a maior disponibilidade de crédito, a redução das avaliações e a necessidade de fusão das empresas mais enfraquecidas. • Questões de inventário: a lenta rotação do inventário tem sido um problema para os comerciantes de gama média. Apesar de estarem a armazenar menos do que há um ano atrás, muitos ainda sentem que os cortes não foram suficientemente profundos. Como resultado, o desconto tem sido galopante à medida que os retalhistas procuram renovar as mercadorias. • As falências dos retalhistas têm afectado os fornecedores. Quase dois em cada três fornecedores foram afectados pela falência de um cliente do retalho no ano passado e quase o mesmo número prevê falências adicionais no retalho nos próximos 12 meses. Muitos estão-se a voltar para o factoring e o seguro de crédito como protecção de possíveis falências de clientes. • Gerir os relacionamentos com os clientes. Para proteger os seus negócios, os fornecedores estão a negociar menos com os clientes de retalho que estão financeiramente enfraquecidos, estão a acompanhar as contas dos clientes com mais atenção, a impor condições de crédito mais restritivas e depósitos para novos clientes. Ao mesmo tempo, muitos estão a oferecer incentivos para os clientes que pagam com antecedência. Não surpreende que os retalhistas continuem muito vigilantes em relação ao futuro, com a maioria a acreditar que será necessário vários anos antes do regresso do consumo aos níveis pré-recessão. No entanto, mantêm a esperança de uma possível reviravolta no início de 2010.