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Regresso ao futuro

Na mais recente edição do Portugal Fashion, a Meam e a Concreto regressaram ao calendário com um objetivo comum: fazer da passerelle rampa para a internacionalização.

Novo designer, nova linha e renovados desafios são o puzzle da atualidade da Meam que, há 20 anos no mercado, regressou a uma casa que lhe é familiar para poder partir.

«O Portugal Fashion é a maior montra de moda nacional e faz todo o sentido, quando se quer internacionalizar, fazer uma coleção que encaixe e seja mostrada neste certame», afirmou Cristina Maia, brand manager da Meam. O alinhamento desvendado na megaestrutura erguida no Parque da Cidade do Porto (ver Portugal Fashion enfrenta o inverno) foi orquestrado por Francisco Rosas, que assumiu o papel de designer da marca, tal como Portugal Têxtil tinha anunciado em primeira mão (ver Vida nova para a Meam).

Meam

«Temos uma coleção com volumes novos e diferentes em relação ao que fazíamos no passado, para uma nova mulher, que assume aquilo que veste. Temos coordenados que vestem mães e filhas porque, hoje, as mães não se querem vestir como mães», explicou Francisco Rosas sobre os coordenados que enalteceram as popelinas e malhas jersey numa paleta de púrpura, anis, cinza, branco, preto, marinho e cáqui. «Estou a usar as silhuetas da alta-costura, que foi a minha escola, para coordenados do dia a dia», sublinhou.

Depois desta reentrada no calendário de desfiles do Portugal Fashion, a Meam quer recuperar a «notoriedade perdida» no mercado, apostada em crescer aquém e além-fronteiras.

Meam

«Os nossos objetivos atuais são internacionalizar e aumentar o reconhecimento de marca em termos nacionais», apontou Cristina Maia, revelando que as baterias da Meam estão já apontadas para Espanha, Reino Unido, Holanda e EUA. «Acho mais difícil entrarmos em França e em Itália, pelas marcas que esses países/mercados já têm, mas havemos de lá chegar», garantiu.

Homem em Meam

À venda nos espaços multimarca Panamar, no Porto, 100% Português, em Coimbra, e 21pr Concept, em Lisboa, outro dos pontos da renovada estratégia da Meam é a entrada no comércio online.

Meam

«Estamos a trabalhar o online e, brevemente, vamos ter um portal de comércio eletrónico», indicou Cristina Maia sobre a morada que deverá ficar disponível «nos próximos dois a três meses» e, a seu tempo, incluir propostas para homem – já desfiladas na passerelle do Portugal Fashion dedicada ao outono-inverno 2018/2019.

Mulher em Concreto

Com um reposicionamento em alguns pontos semelhante está a Concreto, que exportando 80% da sua produção, retornou à passerelle com uma imagem apurada.

Concreto

«Este ano resolvemos fazer uma coleção mais minimalista, para uma mulher a partir dos 30 anos», elucidou o designer Hélder Baptista sobre os coordenados sintonizados com o guarda-roupa de uma mulher mais madura e destacados pelo brilho, que iluminou uma paleta sóbria de perola, cinzento e preto.

Nos bastidores do desfile, que aconteceu no sábado, 24 de março, Teresa Marques Pereira, diretora da Concreto, avaliou o regresso ao calendário do Portugal Fashion como «vital». «É a primeira ação de apresentação desta “nova” Concreto e teria de ser no Portugal Fashion. Foi uma casa que nos acolheu no passado e, obviamente, a voltar, não poderíamos escolher outra», admitiu.

Concreto

Itália é, atualmente, o melhor mercado da Concreto, mas para alcançar os mais de 300 pontos de venda fora de Portugal, a marca tem-se espalhado por uma vasta área geográfica, de França à Grécia, do Japão a Hong Kong, do Canadá ao México. «Estamos a ter uma aceitação e pedidos de entrada para a Alemanha e é o próximo mercado a abordar», anunciou Teresa Marques Pereira.

Dentro de portas, a Concreto pode ser encontrada em mais de 200 espaços multimarca.

«Só trabalhamos para o mercado de retalho, trabalhamos, essencialmente, boutiques, não temos uma estratégia online, comunicamos somente as imagens das nossas campanhas. Não vendemos online porque efetivamente existe ainda o primor do atendimento personalizado», esclareceu. A diretora da Concreto reconheceu, no entanto, que a médio/longo-prazo o portal de comércio eletrónico «será uma solução obrigatória».