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Regresso ao passado

A Versus, a marca da Versace que se tornou popular nos anos 90 e foi reavivada há alguns anos atrás, está de novo na boca do mundo, graças à coleção cápsula criada pelo designer britânico J. W. Anderson. Anderson e Donatella Versace apresentaram a coleção, que contempla vestuário e acessórios em pele, com o alfinete dourado que é a assinatura da Versace, numa festa no Armory, em Lexington Avenue, em Nova Iorque. Anderson descreve a sua abordagem como «pegar nos códigos da casa de moda e reformulá-los», como fez com um blazer preto com uma lapela mais larga e um cinto também largo em couro a fechar, sugerindo vagamente um obi (como nas artes marciais). «Adoro a junção entre homem e mulher mas não o vejo como androgenia», refere. Outra peça estruturada é uma saia preta justa em crepe com elastano cortada a laser, conjugada com uma camisola curta preta ou um top sem mangas feito com sobreposição de peças. Os designs em nome próprio de Anderson são muitas vezes descritos como conceptuais e minimalistas e esse efeito pode ser visto nas malhas: tops e túnicas em amarelo vivo, laranja e azul royal com um painel ou costas em renda. Minimais no corte, com o máximo efeito moda. E provavelmente destinadas a serem copiadas. J. W. Anderson tem ainda atenção aos detalhes de branding. Nas calças em couro tipo jeans, colocou pequenos ilhós dourados em forma de Medusa nos cantos dos bolsos e o nome da marca – Versus – em letras grandes e brancas por dentro da linha de cintura. Pode não parecer muito, mas em contraste com o corte clássico e a sensualidade do couro, o nome destaca-se. Como afirma, é o tipo de coisa que alguém pode enviar para Instagram. O designer recorreu ao arquivo da Versace em Milão, analisando de perto uma coleção de pronto-a-vestir de 1997 de Gianni Versace e é evidente que quis atrair tanto os puristas como novos consumidores. A coleção-cápsula inclui uma minissaia em couro preto com alfinetes dourados em forma de Medusa. Anderson lembra-se de ver Linda Evangelista a usá-la e não mudou nada. «Não queremos uma versão falsa», afirma. Christopher Kane desenhou para a Versus durante várias estações e embora as suas coleções fossem chamativas e criativas, a pequena oferta de Anderson clarificou de alguma forma a marca. Preservou os elementos óbvios, como as cores fortes e um certo sex appeal (registado em malhas angorá, um novo estampado zebra e um minivestido em couro preto), mas o estilo é sem dúvida Versace, com a sua sofisticação característica. A coleção funciona também para mulheres com idades e lifestyles diferentes, um upgrade em comparação com a imagem júnior da Versus. Os preços são igualmente mais baixos do que a linha de passerelle. Um vestido em malha e renda, por exemplo, custa 645 dólares (pouco mais de 500 euros). A Versace está agressivamente a usar a Internet para promover e vender a Versus: cerca de duas dezenas de artigos da linha regular da Versus estão à venda no site da Versace. Quanto à linha J. W. Anderson Versus, estará à venda a partir de 15 de junho. Ainda não está confirmada uma segunda coleção cápsula, mas Donatella Versace e Anderson poderão estar a considerar a possibilidade.