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Regresso às aulas dispara consumo

A chegada da pandemia foi sinónimo de mudanças em vários aspetos. O consumo é um deles, assim como a frequência escolar, o que pode gerar uma reestruturação das necessidades e prioridades de compra para o regresso às aulas e, segundo novos estudos, impulsionar os gastos dos compradores.

[©CNet]

Depois das férias de verão, o regresso às aulas é inevitável, contudo, a nova realidade pode implicar também uma aprendizagem a partir de casa, uma vez que não se exclui o aparecimento de uma segunda vaga do novo coronavírus. Como consequência, o vestuário pode já não ser o segmento onde os consumidores planeiam investir mais.

A procura por tecnologia poderá aumentar, já que os estudantes precisam mais de computadores e acessórios informáticos que facilitem as aulas online que, durante a situação sem precedentes, foram absolutamente necessárias.

Em contrapartida, as vendas de vestuário podem ser prejudicadas, de acordo com estudo recente da National Retail Federation analisado pelo Sourcing Journal.

O relatório mostrou que os pais com alunos da creche ao 12.º ano  planeiam gastar um valor menor em vestuário, o que se traduz numa redução média dos gastos deste segmento de 239,82 dólares (206,9 euros) registados em 2019 para 234,48 dólares. No caso dos alunos universitários, os gastos estimados são de 148,37 dólares.

A National Retail Federation antecipa, contudo, que o consumo conjunto para os alunos da primária até ao secundário e universitário alcance os 101,6 mil milhões de dólares em 2020, o que ultrapassa a marca de 100 mil milhões de dólares pela primeira vez e representa um aumento de 25,9% em relação à previsão de gastos do ano passado, que foi de 80,7 mil milhões de dólares.

Por cada nível de escolaridade, os pais com filhos que frequentam da creche ao 12.º ano planeiam gastar em média 789,49 por família, um crescimento de 13,3% face ao valor de 696,70 dólares estipulado para o ano transato. O estudo mostrou ainda que os gastos para este grupo podem chegar aos 33,9 mil milhões de dólares, um crescimento considerável tendo em conta os 26,2 milhões aplicados em 2019, o que, se efetivamente se verificar, vai quebrar o record de 2012 de 30,3 mil milhões de dólares. 63% dos pais afirmaram que estão a pensar comprar portáteis ou outros equipamentos eletrónicos durante o ano, uma diferença de quase 10% comparativamente com os 54% verificados no ano passado.

Numa análise da Prosper Insights & Analytics, os estudantes universitários e respetivas famílias revelaram que podem gastar uma média de 1.059,20 dólares, mais 8,4% do que em 2019, quando gastaram 976,78 dólares. Os dados dos consumidores universitários também indicam um crescimento de 8% nos gastos com mobiliário, de 120,19 para 129,76 dólares. Na prática, os gastos universitários totais serão de 67,7 mil milhões de dólares, um valor superior aos 54,5 mil milhões de 2019. O valor previsto vai quebrar o pico de 55,3 mil milhões registado em 2018.

Os consumidores inquiridos apenas completaram 17% das compras que pretendem fazer no início de julho e 54% afirmaram não saber aquilo que realmente precisam para o novo ano letivo. Apenas 10% receberam uma lista do material escolar requerido e aproximadamente 40% espera receber esta lista até ao final de julho e 30% no final de agosto. «De qualquer das formas, este é um ano sem precedentes com uma grande incerteza, que inclui onde é que os alunos vão ter aulas, quer estejam no jardim de infância ou na universidade», afirma Matthew Shay, presidente e CEO da National Retail Federation. «A maior parte dos pais não sabe se os filhos vão estar sentados na sala de aulas ou na sala de jantar em frente ao computador ou até mesmo uma combinação dos dois. Mas eles sabem o valor da educação e estão a passar por incertezas para que os alunos estejam prontos», continua.

Novos padrões

A pandemia também está a afetar a forma como os pais planeiam gastar o dinheiro. 88% confessa que o vírus vai afetar os seus padrões de compras, com 43% a pretenderem gastar online e 30% a referirem que vão fazer comparação de preços antes de comprar.

[©Raising Arizona Kids Magazine]
O e-commerce deverá ter um dos maiores aumentos, com 55% dos inquiridos com alunos no ensino até ao 12.º ano a dizerem que vão comprar online comparativamente com 49% em 2019. Só 37% planeiam visitar os grandes armazéns ainda este ano, um decréscimo considerável face aos 53% de 2019. No que diz respeito aos consumidores universitários, 43% vão comprar online, menos 2% que no ano passado, e 26% tencionam frequentar os grandes armazéns, um valor menor do que os 39% também do ano anterior.

Outro estudo independente da Customer Growth Partners (CGP) antevê um aumento nas vendas de retalho de 3,7%, para os 647 mi milhões de dólares, no caso das famílias que têm pelo menos um elemento com um posto sólido de trabalho. As previsões da CGP são superiores às da National Retail Federation, mas ainda assim as expectativas gerais de consumo na educação revelaram estar alinhadas. «As conclusões apreendidas com os desastres passados, seja o 11 de setembro ou a crise financeira de 2008/2009, mostraram que o consumidor americano é profundamente resiliente mesmo nas piores situações e recupera de forma inteligente, desde que em casa exista pelo menos um emprego», conclui Craig Johnson, presidente da CGP.

Os resultados de um relatório da Coresight Research, divulgado a 8 de julho, indicam que mais de um terço dos compradores, o equivalente a 35,4%, estão a planear diminuir os gastos, tendo em conta a situação de crise sanitária. 27,3% vão gastar mais em artigos que complementem a aprendizagem a partir de casa comparativamente com o ano passado.

A tendência das compras online vai continuar a sobrepor-se às compras em lojas físicas, visto que as condições de segurança e higiene constam nas principais preocupações do consumidor da nova realidade. Quatro em cada 10 pais revelaram estar preocupados com o facto dos filhos regressarem às aulas e 42,2%, ou dois quintos dos consumidores, planeiam adquirir máscaras e outros produtos de higiene ou equipamentos de proteção individual.

Com a mudança do comportamento do consumidor subjacente à nova realidade, alguns retalhistas estão já a tomar medidas de adaptação ao novo normal. Tendo em conta que muitos compradores estão a evitar frequentar as lojas físicas, a Kohl’s anunciou que vai dar prioridade aos pagamentos contactless e vai disponibilizar o serviço de compra online e recolha. «Como os pais sabem, este regresso às aulas é algo que nunca vimos antes e vamos continuar a oferecer uma experiência de compra conveniente para as necessidades do regresso às aulas, quer isso signifique efetivamente voltar à escola ou estar em casa», refere Greg Revelle, diretor da área de marketing na Kohl’s, destacando o foco na saúde e segurança nas lojas para melhor atender as necessidades das famílias no novo ano letivo.