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Regresso às aulas

O período de regresso às aulas, como uma etapa definida no calendário dos retalhistas, parece tornar-se uma coisa do passado. As vendas estão, cada vez mais, dissiminadas ao longo do ano e a tendência de obtenção de receitas diretamente associadas à retoma do período escolar está em declínio.

Mother and son shopping for clothes

Uma pesquisa realizada pela Deloitte sobre o período de regresso às aulas demonstrou que 38% dos pais de crianças, desde o jardim de infância ao ensino secundário, acreditam que a temporada de compras de regresso às aulas é hoje menos importante, uma vez que repõem o material escolar ao longo do ano e sentem, por isso, menos necessidade de armazenar. Revelador desta tendência é o facto de 31% dos pais planearem completar as suas compras de regresso às aulas após o início do ano letivo, um aumento de cinco pontos percentuais face ao ano passado.

Alison Paul, vice-presidente da Deloitte e líder do sector de retalho e distribuição, explica que «os consumidores estão a enviar um sinal aos retalhistas, dizendo que a temporada de compras de regresso às aulas já não é assim tão relevante para eles – e isso pode afetar dramaticamente uma indústria que depende tradicionalmente deste período, definido para a obtenção de uma parcela significativa das suas vendas anuais.

«A questão para os retalhistas será como atrair as vendas que não ocorrem exclusivamente em julho ou agosto, estando cada vez mais repartidas ao longo do ano», destaca. Paul questiona a eficácia das táticas promocionais sazonais tradicionais, como a oferta de dois produtos pelo preço de um, e afirma que «se os consumidores estão satisfeitos com os itens que já possuem, a promoção de dois-por-um já não os conduzirá à máquina registadora. Em vez disso, os retalhistas terão que fornecer algo mais significativo ou exclusivo, que se adapte às necessidades dos seus clientes, quando eles estão dispostos a comprar».

Panorama móvel
Todos os estudos realizados sobre o tema confirmam que a inovação em torno dos dispositivos móveis é essencial à conversão de vendas. Cada vez mais se trata de conjugar o espaço físico e as experiências on-line, oferecendo serviços adicionais que potenciem a comodidade das famílias e estudantes universitários.

A pesquisa realizada pelo Deloitte indica que os compradores tendem a usar os telefones móveis na pesquisa de informações, mais do que para comprar. Diversos inquiridos (mais de 44%) afirmaram que planeiam visitar sites de retalho ou procurar informações sobre o produto (42%) através do dispositivo móvel, enquanto apenas 29% pretendem usar os seus telefones na efetuação de uma compra.

«A influência digital supera a posse de um aplicativo móvel ou consulta social», sustentou Paul. «Os retalhistas devem considerar todas as interações digitais, não só como importantes para as vendas on-line, mas, também, como um fator-chave para as compras em loja. Encontramo-nos num ponto de viragem no retalho, no qual as taxas de adoção de dispositivos digitais estão a acelerar rumo aos 100%. Quando isso acontecer, não existirá tal coisa como off-line, já que os consumidores estarão constantemente conectados. Os retalhistas podem desempenhar um papel importante na aceleração face à conscientização e aceitação de pagamentos móveis e carteiras digitais por parte dos utilizadores, facilitando ainda mais o percurso rumo à aquisição», explicou.

Clique-para-reservar
O crescimento do uso de telefones móveis transformou os serviços “clique-para-reservar” mais relevantes do que nunca. Este ano, a American Eagle Outfitters uniu-se à Gap Inc. e Sears na criação deste recurso para as suas lojas. A funcionalidade permite aos clientes encontrar um produto de que gostam tanto online, na Gap e Sears, como no aplicativo móvel, para a American Eagle. Os clientes da Gap e da American Eagle podem reservar até cinco itens por dia, podendo assegurar até seis na Sears. Esta funcionalidade é uma das mais relevantes da experiência de comércio eletrónico – confiança na disponibilidade e conveniência – e une-a aos pontos fortes das lojas físicas, conferindo aos consumidores de nova geração a gratificação instantânea que procuram.

Reservar, experimentar e comprar conceitos permite aos clientes uma experiência de compra sem risco, incentivando, simultaneamente, o tráfego na loja física. Se os estilos pretendidos não corresponderem ao desejado, existe a possibilidade de comprarem outros produtos. Paralelamente, os consumidores com disponibilidade financeira limitada não enfrentam o incómodo de comprar produtos on-line cujo tamanho pode não se adequar.

Fim-de-semana de descontos
A tendência de isenção de impostos no regresso às aulas, que nos EUA se estende por um fim de semana, geralmente o primeiro ou segundo de agosto, que oferece um adicional de 5% a 10% de desconto de imposto sobre compras de regresso às aulas, pode significar que o período de comercialização se poderá transformar em algo semelhante a uma versão menor do Black Friday e Cyber Monday, num momento em que os retalhistas procuram atrair gastos e competir por uma quota de consumidores.

Estes períodos têm atraído muita atenção dos consumidores este ano. Se, em 2016, um número crescente de estados se envolver nesta iniciativa, em acréscimo aos 12 que participaram este ano, os retalhistas devem potenciar e planear campanhas divertidas nos media sociais e promoções orientadas em torno desses períodos.

Craig Shearman, porta-voz da Federação Nacional de Retalho, refere sobre estas iniciativas que «o que temos ouvido dos nossos membros é que as isenções fiscais têm sido extremamente bem sucedidas em convencer os consumidores a fazer compras. Se os retalhistas disserem que tudo está à venda por 5% de desconto, as pessoas rir-se-ão. Mas existe um apelo psicológico para escapar ao pagamento de impostos. Os americanos odeiam os impostos desde a Tea Party de Boston».