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Reinvenção em 5 passos – Parte 2

Estas destacam-se pelas suas elevadas taxas de conversão, elevado número de unidades vendidas diretamente ao consumidor final, poucas devoluções, elevada lealdade dos consumidores e lucratividade (ver Reinvenção em 5 passos – Parte 1). «Elas pensam de forma diferente», afirmou o diretor da Alvanon, Ed Gribbin, quanto à justificativa dessas disparidades. Os fatores distintivos surgem logo no momento inicial da conceção do produto. «Para a maioria das empresas de vestuário, o design é uma criação artística; para a Apple e outras empresas de base tecnológica é ciência», explicou. «O design é essencial na Apple, mas não da forma como o concebemos. É design como ciência, como engenharia. É interessante o facto de a Apple ter recrutado vários profissionais provenientes da indústria do vestuário: Angela Ahrendts, a sua vice-presidente de retalho e lojas online veio da Burberry, Ben Shaffer concebeu a tecnologia Flyknit da Nike, Paul Deneve é o CEO demissionário da Yves Saint Laurent. Este é um conjunto de ações que pretende solidificar a estratégia de criação de uma marca sem a qual as pessoas não possam viver», acrescentou. Nesse sentido, Gribbin definiu cinco regras essenciais a um processo de reinvenção. Primeiramente, é fundamental definir o público-alvo, o segmento para o qual as marcas direcionam os seus produtos, não sendo possível alcançar todos os segmentos. Frequentemente, quando procuram alcançar um nicho diferente, adaptando o produto às suas necessidades e ambições, criam inconsistências que poderão excluir os clientes habituais da marca. Gribbin destacou, também, a necessidade de inovar e, por vezes, arriscar. Refletindo sobre as suas experiências pessoais, revelou que a Alvanon está de momento a testar um aparelho de scanner nuns grandes armazéns de Hong Kong, que captura as dimensões, altura, peso e idade dos indivíduos que circulam no espaço comercial, recolhendo dados que permitem estabelecer a variedade e quantidade de tamanhos a armazenar naquela loja em particular, como forma de satisfazer os potenciais clientes. Do ponto de vista tecnológico, sugere a adoção de tecnologia 3D, essencial ao desenvolvimento do produto, diminuindo simultaneamente o tempo que o produto demora a atingir o mercado. A inovação é um requisito essencial à evolução da empresa e deve estar associada a cada passo da sua cadeia de aprovisionamento. Este deve ser repensado e as empresas devem ponderar uma reaproximação desses espaços, optando por aqueles que lhe são geograficamente próximos, ainda que sempre complementados pela vanguarda tecnológica. As empresas devem reinventar o design como engenharia. Devem dispor de um padrão base, com um conjunto de regras que reflitam a forma como os indivíduos crescem no seio da sua base de clientes e um conjunto de dados que esteja ligado ao processo de gestão de ciclo de vida do produto e que permita a transmissão de informação precisa, transparente e segura. «O design como engenharia é a chave para o sucesso de muitas empresas, como Nike e Ralph Lauren», sublinhou o diretor da Alvanon. As colaborações entre diferentes entidades, com diversas valências, poderão também representar um aspeto valorizador desta indústria. As parcerias estabelecidas entre Target e Missoni, Jill Sander e Uniqlo, Karl Lagerfeld e H&M, são exemplos de complementaridade, conjugando «um design de qualidade com o dimensionamento da coleção projetada pelo retalhista», concluiu.