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Reinventar a subcontratação

A indústria do têxtil e vestuário (ITV) tem perdido alguma quota de mercado, com excepção dos têxteis-lar, fios e tecidos de lã e os têxteis técnicos. Este sector tem, no entanto, a possibilidade de obter um impulso, necessitando, para isso, de reinventar as relações de subcontratação, apostar nos nichos de mercado e na promoção. Estas, foram algumas das posições que o ex-secretário de Estado da Indústria, Vitor Santos assumiu durante o encerramento da campanha têxtil promovida pelo IDICT, noticia o jornal Vida Económica. Apesar de um cenário pessimista, o ex-secretário de Estado assume uma postura de algum optimismo, referindo que as «empresas tiveram uma postura pró-activa em termos de modernização, enquanto foi activa a forma como o Estado se posicionou ao nível dos apoios. Um dos grande problemas que se colocam é que Portugal revela grandes dificuldades em desenvolver uma estratégia de diferenciação do produto e de flexibilidade de processos…» Vitor Santos referiu, ainda, que a «política industrial teve a capacidade de posicionar o país no topo da pirâmide de qualidade, mas sem marcas, sem distribuição e sem possibilidade de fazer reflectir a qualidade no preço do produto final. (…) O nosso país aparece na cauda no que respeita ao valor médio das exportações… com a agravante que quase não se investe em inovação.» Outro ponto importante é, para Vitor Santos, o facto de a educação e a formação não se adequarem à actual realidade empresarial, já que, a formação contínua é praticamente inexistente. «Tem que haver uma aposta clara na quantidade e na qualidade da formação». O ex-secretário de Estado deixou ainda alguns conselhos, quer para as entidades privadas quer públicas, referindo a necessidade da reinvenção da subcontratação como ponto-chave, tendo como base as relações de parceria. No entanto, este sistema terá sempre que ser acompanhado por um sistema de educação e formação para a mudança. No que diz respeito à marca Portugal, Vitor Santos assume este projecto como sendo um insucesso, referindo que, o que interessa agora é «investir em nichos de mercado, promover a participação em feiras de subcontratação e consolidar os mercados tradicionais em que estamos presentes. Quanto ao Estado, terá que haver uma maior preocupação em termos de selectividade no apoio à internacionalização. (…) Finalmente, é importante desenvolver políticas que assentem em “clusters”». Importante, também, foi a atenção dada ao avançar da reforma na administração pública, que implicará a reestruturação dos organismos tutelados pelo Ministério da Economia, e ao desenvolver de esforços para colocar as verbas do IMIT ao serviço das empresas de ITV.