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Remoção de corantes tem solução verde

A indústria têxtil é considerada uma das mais poluentes a nível mundial, mas o seu esforço para se tornar mais sustentável não tem sido em vão. Agora foi encontrada uma nova solução para remover corantes tóxicos da água, cujo ingrediente-chave é a luz natural.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Tecnologia do Texas, conhecida por Texas Tech, descobriu uma forma de deteriorar os resíduos de corantes, usados no tingimento no vestuário, através da filtragem da água com redes especiais de nanofibras e consequente exposição à luz natural – um processo designado por fotodegradação.

Uma das fases finais do processo de tingimento de tecidos é a lavagem, que ajuda a estabilizar o corante e a remover o excesso. Contudo, a água utilizada fica contaminada com restos de corantes, que, segundo os investigadores, se estima que representem anualmente cerca de 200 mil toneladas.

Seshadri Ramkumar, professor no departamento de Toxicologia Ambiental da Texas Tech, e Lihua Lou, estudante de doutoramento, em colaboração com investigadores dos Departamentos de Engenharia Química e Engenharia Mecânica, adicionaram nanopartículas a uma solução de polímero que depois foi transformada, através de eletrofiação, em nanofibras. Os investigadores observaram que, quando o composto de redes de nanofibra era imerso em água com um corante vermelho, ocorria uma reação química, durante a qual 80% do corante, conhecido por RhB, se degradava em seis horas e os restantes 20% deterioravam-se lentamente até desaparecerem completamente após 49 dias. «Depois de terminado o processo de fotodegradação, o composto pode facilmente ser removido da água sem deixar muitos resíduos prejudiciais», explica Ramkumar.

A maioria dos corantes permanece no ecossistema devido à ineficácia dos processos convencionais de tratamento de águas residuais, já que estas substâncias estão preparadas para suportar condições extremas de luminosidade, temperatura e químicos. Anteriormente, o processo de deterioração dos corantes recorria predominantemente a luz ultravioleta. Contudo, Ramkumar argumenta que a luz natural traz mais benefícios, ao nível do desempenho do tratamento e da proteção ambiental. «É ecológica, renovável e ambientalmente benéfica», sublinha o professor, acrescentando que «a luz natural usada para a fotodegradação não é prejudicial e apresenta-se eficiente em custos e fácil de operar. Torna a remoção da cor económica para a indústria».

Riscos para a saúde

O movimento sustentável, que tem vindo a ganhar força nos últimos tempos, tem concretizado grandes progressos ambientais na indústria da moda, ao nível da reciclagem, da reutilização de materiais e do consumo de energias renováveis. Contudo, a remoção de corantes das águas residuais representava, até agora, um problema sem solução aparente. Ao mesmo tempo, estas substâncias podem constituir sérias ameaças à saúde humana.

«Alguns corantes são altamente mutagénicos e tóxicos», aponta Lou. «As águas residuais com RhB [um composto químico frequentemente usado na indústria têxtil] podem causar irritação na pele, olhos e vias respiratórias das pessoas e animais. Além disso, surgem vários problemas de saúde, como a neurotoxicidade, carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva e toxicidade do desenvolvimento, devido às águas residuais do RhB», acrescenta.

No futuro, a equipa pretende testar a mesma técnica com outros tipos de corantes sintéticos e naturais. «A nossa investigação é multidisciplinar e aborda um problema importante para o sector têxtil», sustenta Ramkumar.